11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Taxa de retorno encarece financiamento

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Quem financia um automóvel deve ficar atento ao que está sendo cobrado para não pagar além do que deveria. Uma prática corriqueira no mercado financeiro é a utilização da chamada taxa de retorno, ainda mais comum quando se fala em financiamento de veículos. Trata-se de uma espécie de incentivo que as instituições financeiras oferecem para as agências, lojistas ou pessoas que intermediam financiamentos, como forma de canalizar esses financiamentos para determinada instituição financeira.

O problema é que quem paga a conta não são os bancos, mas o próprio consumidor, que tem embutido no carnê, além das taxas habituais, a chamada taxa de retorno. “O cliente tem que estar ciente que, na taxa de juros que está sendo cobrada, está embutido um determinado percentual que será repassado aos intermediários”, aponta o economista Wagner Ismanhoto, especialista no mercado de veículos.

Com o advento do custo efetivo de crédito, essa situação pode até mudar, já que desde o dia 3 de março os bancos são obrigados a informar o valor real do financiamento, com todas as taxas embutidas, e dizer exatamente de quanto vai ser o percentual cobrado por mês.

“Hoje o cliente que for fazer um financiamento deve ter esse cuidado, porque no meio dessa taxa é muito provável que esteja embutido um percentual que será revertido para a pessoa que está intermediando a operação”, frisou.

Compra direta

O economista destaca, ainda, que muitas empresas que estão no mercado de automóveis lucram mais com a intermediação do financiamento do que na venda do automóvel. A solução seria financiar o veículo diretamente na instituição financeira, que tem por obrigação informar o que está sendo cobrado, algo que não vai ocorrer nas concessionárias.

Para Ismanhoto, isso só não ocorre por conta de uma falsa sensação de comodidade, já que nas agências intermediadoras já está tudo praticamente pronto, enquanto nos bancos o consumidor ainda terá de enfrentar a burocracia.

“Cabe ao cliente perguntar quanto vai custar o financiamento na agência e entrar em contato com o banco. Pede para o vendedor anotar quanto está financiando e o valor das parcelas, depois liga para o gerente do banco e pergunta quanto vai pagar e em quantas parcelas. Compara”, destacou.

Enquanto isso, o setor de veículos novos segue registrando números positivos. Dados nacionais divulgados ontem mostram que, até a última quinta-feira, já tinham sido vendidos 201 mil veículos no País desde o início de março. Desse total, 191,1 mil são automóveis e comerciais leves, e o restante, caminhões e ônibus. Antes mesmo do mês terminar, já é o melhor março da história do setor.

No acumulado do ano foram comercializados 616,8 mil veículos até o dia 27, crescimento de 34,3% em relação ao mesmo período do ano passado.