10 de julho de 2026
Bairros

Paisagismo prevê Pç. Dom Pedro II mais colorida e perfumada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O ar sombrio e sisudo da Praça Dom Pedro II deu espaço à claridade, leveza, muita cor e, quem diria, até perfume. O projeto paisagístico implementado no local tem inspiração bucólica e nostálgica. Pretende retomar as décadas de 60 e 70, quando as praças eram literalmente “desfrutadas”.

Aliás, com pouco de sorte, ao transitar pelos “caminhos sinuosos” desenhados ao lado da Câmara Municipal é possível, inclusive, saborear carambolas, pitangas, goiabas e frutas do conde. “É um deleite. Um lugar úmido, fresco, em meio ao serrado. É uma terapia verde”, diz a paisagista Góia Ferreira. Para garantir tons variados ao jardim, plantou na praça espécies como mini rosas vermelhas, além de outras multicores.

“Não é só pela cor, mas também pelo bucólico”, comenta ela, que foi contratada pela Companhia Paisagística Bauru. A maria sem-vergonha também ajudará a garantir cores ao local, além do rabo de gato e paixão de homem (manacá de jardim). No caso da última, além do tom, a flor também é aromatizante. Seu perfume suave será somado ao das damas da noite e do mini jasmim gardênia.

Com a remodelagem, a praça ainda ganhou um pau- brasil, em substituição ao Flamboyant cinqüentenário, cortado porque estava mal de saúde, segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

“Foi espontânea a troca. É uma espécie nativa. Todo mundo fala do pau brasil, mas ninguém sabe o que é”, diz Fábio Couto, proprietário da Cia Paisagística Bauru, contratado pela Premo Construções Empreendimentos, de Belo Horizonte.

Preservação

Por sua vez, a Premo foi procurada para executar o projeto, inclusive paisagístico, da Igreja Universal do Reino de Deus em Bauru. No caso da praça, a proposta inicial sofreu pontuais adaptações. “Eles pediram para preservar as espécies e acrescentar outras, desde que com autorização da Semma”, informa o diretor da Premo Newton Godoy.

Quase nada foi arrancado. Alguns arbustos e palmeiras foram reaproveitados em outros espaços verdes. Outras espécies, no entanto, foram remanejadas dentro da própria praça, informa Góia.

Os bispos assumiram a remodelagem da praça como medida compensatória exigida pela Semma e pela Secretaria Municipal do Planejamento, informa o titular do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho.

O local, recebeu novos bancos, luminárias, além do piso. A antiga calçada portuguesa foi trocada por ladrilho hidráulico, cujo desenho é o símbolo de São Paulo. “Ele não derrapa, é fácil de limpar, durável e de fácil reposição”, conclui Godoy. A data da inauguração oficial da praça ainda não estaria definida. Segundo a Semma, estava prevista para este final de semana, quando o bispo Edir Macedo estaria na cidade. O evento, no entanto, foi desmarcado. O projeto total teria circundado a casa dos R$ 300 mil.

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Desrespeito

O acesso à Praça Dom Pedro II nem foi liberado e ontem à tarde a reportagem já flagrou uma senhora invadindo o local e pisando na grama para cortar caminho. Mesmo advertida, manteve a postura desrespeitosa. Ela, no entanto, não é a única. Já levaram até pedaço de grama, além de outras espécies.

“Tem um folclore de que planta roubada é melhor. Mas para a praça ser mantida bonita, a comunidade tem que ajudar a cuidar. Todo mundo tem que ser fiscal para não ter vandalismo contra bancos e postes”, diz a paisagista Góia Ferreira. Ela fez vários plantios em formatos geométricos e garantiu ao local flores de todas as estações, para que a praça sempre esteja colorida.