Alguém conhece Adelmo Bertussi?
Alguém pode dizer que não, mas conhece os projetos executados pela Equipe Técnica da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal (Seplan) de Bauru da qual ele fez parte por mais de quarenta anos até o dia de ontem (24 de março de 2008). Procurei um significado que melhor traduzisse esse amigo, ser humano, profissional, companheiro de trabalho. Lembrei de entidade. Quando queremos dizer que um compositor, cantor, poeta, arquiteto, é muito fera, dizemos que ele é uma entidade. Entidade: o que constitui a essência de uma coisa, individualidade, ser (Dicionário Aurélio).
Seu Adelmo, 78 anos, em seus mais de 50 anos de dedicação ao serviço público é uma dessas figuras queridas, amadas, elogiadas, admiradas (a Construtora Camargo Corrêa não poupou elogios aos projetos do Complexo Viário do Pátio Ferroviário, infelizmente inacabado) e cuja história de vida, com seus 56 anos de casado com d. Maria Angélica, de comunidade Santo Antônio da Bela Vista onde foi morador, das equipes de casais, se confunde com a história das oficinas de carpintaria e marcenaria da Noroeste do Brasil-NOB, com a Prefeitura de Bauru e em especial com a Seplan que ele tanto se dedicou com paixão e afinco mesmo depois de aposentado.
Apesar de não ter um cartucho, um diploma universitário (o que lhe seria de direito, um diploma honorário de engenheiro-arquiteto pelo excelente e indiscutível rigor técnico e conhecimento autodidático, como se faz nas sociedades civilizadas pelo reconhecimento aos serviços prestados à uma comunidade e ao desenvolvimento técnico e científico), tem sua participação nos principais projetos viários e arquitetônicos desta cidade: av. Nações Unidas, av. Moussa Tobias, Viaduto JK, Viaduto Treze de Maio, Parque Vitória Régia, Secretaria da Fazenda (o elegante prédio ao lado do Fórum), av. Nações Unidas Norte e seu futuro Parque do Castelo, av. Engº Luiz Edmundo Coube, duplicação da av. Getúlio Vargas com sua bela Praça Copaíba, Parque da Água Comprida (ao lado do Sambódromo, não executado), e inúmeros outros projetos, todos eles públicos, de interesse único e exclusivo da Prefeitura Municipal de Bauru. Portanto, um patrimônio que pertence a todos os bauruenses, nascidos ou de coração, como eu. Sem falar dos excelentes projetos de residências modernas da década de 50 que permeiam o Jardim Estoril.
Seu Adelmo bem merece uma homenagem como nome de uma importante avenida, viaduto, prédio público, coisa de nível. Do tamanho de sua capacidade humana, intelectual e de caráter. Se algum cidadão bauruense não o conhece perdeu a chance de vê-lo trabalhando na Seplan, seja atendendo o público informando sobre desapropriações, calculando bacias hidrográficas, traçando perfis topográficos, calculando galerias, fazendo detalhes de tesouras, ensinando engenheiros, arquitetos, estagiários e técnicos sempre com humildade!
Seu Adelmo, o senhor elegante, de educação polida (jamais cumprimenta uma pessoa sentado!), italiano de gestos generosos com a mão, nascido em Tibiriçá, aquele que chegava antes das oito da manhã, retornava meia hora antes do almoço, saia depois das 18h, e dificilmente abonava, infelizmente não trabalha mais na Seplan-PMB. Quando um funcionário do quilate e da estirpe de seu Adelmo pede exoneração do cargo de Assessor Técnico do Gabinete, a Prefeitura de Bauru perde, a nossa cidade fica mais triste e a sociedade bauruense fica mais pobre. Seu Adelmo será sempre essencial, único, cuja individualidade se tornou coletiva, pública, quando entrou para o quadro de funcionários da Prefeitura de Bauru e que hoje a deixa mais vazia. O nosso carinho, respeito, admiração e muito obrigado pelo seu trabalho que até ontem honrou nossa convivência e de todos aqueles que puderam contar com sua sabedoria técnica e de vida. Que Deus o abençoe com muita saúde e muitos anos de vida.
Claudinei Ferreira Lima - RG 17.158.114-3