10 de julho de 2026
Regional

Pesquisa desmistifica raias nos rios do Estado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Um trabalho de pesquisa coordenado pelo biólogo Domingos Garrone Neto, da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), pretende mudar a visão que os ribeirinhos, pescadores e turistas têm a respeito das arraias - ou raias, segundo o pesquisador. O animal cartilaginoso visto como agressivo é na verdade um bicho dócil e só ferroa quando precisa se defender. A carne pode ser consumida pelo homem e a fêmea não menstrua, como diz o dito popular.

Esses são alguns dos resultados da pesquisa realizada por Garrone Neto. Os resultados serão divulgados através de 10 mil panfletos, distribuídos especialmente junto ao público-alvo. O objetivo é prevenir acidentes com o peixe, que por conta da inundação das Sete Quedas de Guaíra (Itaipu, em 1980) passou a povoar a região do Alto Rio Paraná (com foco na região de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul e Castilho).

“As Sete Quedas eram uma barreira natural para várias espécies de animais aquáticos. Com a inundação, as raias e outros peixes subiram e estão colonizando uma área que elas não ocupavam originalmente.”

O projeto, batizado de “Pescando Pescadores”, busca desmistificar o assunto envolvendo raias de água doce. “E informar os ribeirinhos sobre os cuidados que devem ter com esses animais. Nessa região há muitos banhistas e pescadores”, diz.

A divulgação deve atingir diferentes públicos através de oficinas, palestras e distribuição de panfletos. “Queremos abordar o assunto com as crianças, com seus pais, pescadores, turistas e até mesmo com os médicos para que eles possam lidar melhor com acidentes, com providências rápidas que minimizam a dor provocada pela ferroada do peixe. Vamos orientar ainda sobre como as raias se alimentam e se reproduzem.”

O trabalho será iniciado em Três lagoas, Castilho e Itapura. “São as extremidades da invasão. Elas tendem a subir para o norte da bacia.”