10 de julho de 2026
Internacional

China promete indenizar tibetanos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - O governo chinês irá indenizar as famílias das vítimas dos violentos protestos em Lhasa, informou a agência estatal ontem, no mesmo dia em que dezenas de diplomatas visitam a região.

Pequim afirma que 22 pessoas morreram nos protestos que se espalharam para várias regiões do Tibete e no oeste da China no início deste mês. No entanto, segundo grupos de tibetanos exilados, os mortos foram ao menos 140.

Com a medida, a China pretende restaurar a calma após os distúrbios, que chamaram a atenção da comunidade internacional, a poucos meses do início das Olimpíadas de Pequim.

Famílias de 18 civis mortos em confrontos nas manifestações receberão US$ 28.500,00 (cerca de R$ 49 mil), de acordo com a agência de notícias Xinhua, que cita fontes do governo.

A Xinhua não deu informações de que o governo compensará as famílias dos outros quatro mortos.

De acordo com a agência oficial, os feridos receberão atendimento médico gratuito, e comerciantes que tiveram suas lojas danificadas terão ajuda financeira para os reparos. Segundo o governo, 382 civis e 241 policiais se feriram nos distúrbios.

Os protestos, liderados por monges budistas, começaram pacificamente em 19 de março, no aniversário da tentativa frustrada contra o regime chinês, em 1959.

O Tibete foi independente durante décadas, antes da invasão das tropas comunistas chinesas, na década de 50.

O governo de Pequim culpa os partidários do líder espiritual tibetano, o dalai-lama, que vive exilado na Índia, pelos distúrbios.

Ontem, o dalai-lama acusou a China de realizar uma “agressão demográfica” ao encorajar colonos chineses da região de Han a se mudarem para áreas do Tibete.

Segundo ele, o número de colonos no Tibete deve aumentar em mais de 1 milhão após as Olimpíadas. “Há evidências de que os chineses no Tibete crescem a cada mês”, disse o dalai-lama à imprensa em Nova Déli.

Segundo ele, cerca de 100 mil tibetanos vivem em Lhasa, que tem o dobro de estrangeiros, em sua maioria vindos da região de Han. Hoje, dezenas de diplomatas de vários países - entre eles os EUA, o Reino Unido e o Japão - estão no Tibete, em uma visita organizada pelo governo de Pequim.

A visita ocorre pouco depois do dia de jornalistas estrangeiros a Lhasa, que foi marcada pelo protesto de cerca de 30 monges budistas, que invadiram uma sala onde estava a imprensa.

Os EUA são representados na visita ao Tibete por um segundo secretário da Embaixada dos EUA em Pequim, de acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack. “Ele é do setor político, fala mandarim fluentemente e é especializado em Tibete”.

O presidente dos EUA, George W. Bush, e o premiê australiano, Kevin Rudd, pediram ontem que líderes chineses se reúnam com o dalai-lama para diminuir as tensões.

“É absolutamente claro que há abusos aos direitos humanos no Tibete”, disse Rudd após reunir-se com Bush em Washington.

Ministros da União Européia, reunidos anteontem na Eslovênia, também fizeram um apelo para que a China dê fim à crise da maneira pacífica.