Istambul - Separatistas muçulmanos são mais uma dor de cabeça para os Jogos de Pequim. Ontem, durante a passagem da tocha olímpica pela Turquia, cerca de 150 chineses protestaram contra a política de repressão do governo chinês em Xinjiang, província com o maior número de muçulmanos. Eles exibiam cartazes com as inscrições “China é uma assassina da democracia” e “fim da ocupação chinesa”.
Alguns dos manifestantes tentaram romper a barreira de isolamento entre o público e os atletas turcos que carregavam a tocha. “Nós não queremos um país como a China, com um registro de desrespeito aos direitos humanos, sediando as Olimpíadas, que simboliza humanidade, paz e amizade”, disse Hayrullah Efendigil, um dos envolvidos no protesto em Istambul.
Sem o mesmo reconhecimento internacional dos monges no Tibete, os separatistas muçulmanos de Xinjiang, cuja área representa um sexto de todo o território chinês, preocupam, e muito, Pequim. A China, com o aval da ONU, classifica de terroristas grupo como o Movimento Islâmico do Turquistão Oriental, o nome preferido pelos muçulmanos - Xinjiang quer dizer em chinês “novo território” e quase a metade de seus 18 milhões de habitantes seguem o Islã. Eles já foram 90% dos habitantes da área, mas políticas de incentivo do governo para a migração de chineses de outras regiões para a província mudaram esse panorama.
A Anistia Internacional relata casos de desrespeito aos direitos humanos da China contra os muçulmanos. Segundo a entidade, “milhares de muçulmanos de Xinjiang continuam a ser detidos arbitrariamente e acusados de ‘separatismo’ ou ‘terrorismo’, como parte de uma política geral que também restringiu seriamente os seus direitos religiosos”. A Anistia também fala em “julgamentos injustos”.
O governo do gigante asiático rebate dizendo que luta contra terroristas - um ataque no ano passado contra o que seria uma base do Movimento Islâmico do Turquistão Oriental deixou um saldo de 18 mortos. Mesmo com esse histórico, a China colocou Xinjiang no roteiro da tocha. Serão quatro dias do símbolo olímpico na região - no Tibete serão apenas dois.