O consórcio não é uma alternativa apenas para quem pretende adquirir casa ou carro. As operadoras do sistema oferecem os mais diversos planos, que vão desde a aquisição de instrumentos musicais, como saxofone, até eletrodomésticos, aquecedor solar, ultraleve e brinquedos como carrinho de controle remoto. A principal diferença para o financiamento é a ausência de juros. No consórcio, paga-se uma taxa de manutenção que é dividida entre os integrantes dos chamados grupos.
Em Bauru, uma administradora oferece consórcio até para compra de bicicletas. A empresa, com 38 anos de mercado, já comercializou barcos, pianos e motor de popa, além de eletrodomésticos. “Chegamos a vender até aparelhos para surdez dessa maneira”, afirma o diretor comercial Eduardo Ferraz de Campos Salles. “Já formamos três grupos de 36 pessoas”, orgulha-se.
Gerente de uma loja de conveniência na cidade, Mário César Abelha optou pelo consórcio em agosto do ano passado. Foram duas bicicletas - ainda está pagando uma - e a outra ele trocou por um carrinho de controle remoto através da venda indireta. Foram 24 parcelas de R$ 155,00 que, segundo ele, não pesaram no orçamento. “Optei pelo consórcio, pois as taxas são menores. “Acho que só usaria financiamento em caso de emergência”, conclui.
O empresário José Eduardo de Oliveira Lima Filho já participou de quatro consórcios e adquiriu recentemente uma bicicleta. “Paguei três meses e depois dei o lance, pegando a carta de crédito”. Segundo ele, o consórcio é uma alternativa ao pagamento à vista.
Comércio
A venda de vários produtos nesse sistema já representa cerca de 10% do que é comercializado atualmente no Brasil - os mercados de veículos e imóveis ainda lideram esse ranking. A cada 100 carros produzidos no País, quatro são vendidos via consórcio. Já em relação a imóveis, o crescimento chega a 25% ao ano.
Esse sistema é definido como uma modalidade de acesso ao mercado de consumo baseado na união de pessoas físicas ou jurídicas, em grupo fechado, cuja finalidade é formar uma poupança destinada, por meio de autofinanciamento, à compra de bens móveis duráveis, imóveis e serviços turísticos.
A nova opção surgiu para atender necessidades de mercado e do público consumidor, avalia o diretor regional da Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac) e sócio-diretor de uma empresa de consórcio Luiz Fernando Savian. “No momento, o grande chamariz são as máquinas industriais e equipamentos médicos”, observa. “A única taxa cobrada é de administração, para gerir todo o funcionamento da estrutura de atendimento”, acrescenta.
Há dois tipos de consórcios. Na venda direta, o cliente pode adquirir uma cota do produto oferecido e, assim, entrar no grupo. Na venda indireta, se o cliente for contemplado, poderá adquirir outro bem através da carta de crédito.