Memphis - Os 40 anos do assassinato de Martin Luther King Jr. serviram de mote ontem para que os candidatos a suceder George W. Bush politizassem o evento e usassem as homenagens ao líder civil para prometer ações antipobreza nos EUA ou acertas contas com o passado.
Em Memphis, no Tennessee, onde o ativista negro foi morto em 4 de abril de 1968, a democrata Hillary Clinton chegou a anunciar a criação do cargo de “czar antipobreza” caso vença as eleições em novembro. “Acredito que nós deveríamos ter um cargo no gabinete que seria inteiramente dedicado a acabar com a pobreza atual nos EUA”, disse a ex-primeira-dama,
As declarações dela têm dois alvos certos: o eleitorado negro - ainda hoje há 25 milhões de negros abaixo da linha de pobreza nos EUA, ante 40 milhões quando da morte de King -, que vem favorecendo Barack Obama nas prévias do partido.
Obama, que pode se transformar no primeiro negro a comandar a Casa Branca e que recebe uma grande parcela de apoio dos eleitores negros, celebrou o dia em Fort Wayne, Indiana, onde afirmou a uma multidão de 2.800 pessoas que o cenário político dos EUA não havia honrado os sonhos de King.