09 de julho de 2026
Geral

CTI da Unesp conta o ‘segredo’ da educação pública de qualidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Por anos consecutivos, o Colégio Técnico Industrial (CTI) Professor Issac Portal Roldan, provido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), disputa a primeira colocação entre as escolas de Bauru no ranking de melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2007 foi o mais bem sucedido da cidade, assim como em 2005.

A eficiência demonstra que a escola pública tem sim a receita de como garantir educação de qualidade. “O Estado tem a regra, mas é sempre exceção. O modelo de ensino do Estado é muito bom, mas precisamos ver como está funcionando”, comenta o diretor em exercício do colégio, Edson Alberto de Antônio. Na opinião dele, um bom começo é dispor de uma metodologia de ensino séria, que realmente seja aplicada.

“Se for lindo só no papel, não resolve. A gente define isso nos planos de ensino”, afirma. Garantir recursos aos professores, por exemplo, é uma das medidas fundamentais. “Desde apoio da administração, até financeiro. Se tiver um aluno importunando e a administração não apoiá-lo, ele (professor) não dá aula. A autoridade do professor tem de ser sempre preservada. Isso é muito importante”, explica.

Disciplina também não pode faltar. Aliado dela, Antônio conduz os 600 alunos do CTI. “Precisa ter comando, eles sentem falta disso. Se tomou uma atitude correta, tem de ser parabenizado. Se tomou uma atitude errada, tem que ser orientado e, se cabe pena, tem que ser apenado”, acrescenta. O diretor é respaldado pelo código disciplinar do colégio, que todos os alunos têm ciência.

Limite

As faltas de comportamento são avaliadas por uma comissão disciplinar, cuja conformação integra, inclusive, pais de alunos. Trata-se de um meio de não centralizar tudo na direção, que não pode ser carrasca, nem “mãezona”. Aliás, a participação da família tem limite e é fundamental em casa, onde educação e desempenho devem ser cobrados, destaca Antônio.

“A escola tem a finalidade dela, que é a educação formal. É o espaço para esse momento. Mas a responsabilidade tem de ser cobrada, inclusive no ensino médio”, destaca. Com esta finalidade, o CTI aboliu, por exemplo, o sinal indicativo de término das aulas. Até porque ele não existe no mercado de trabalho, para onde estão sendo preparados. Cada um deve conhecer e respeitar horários e compromissos.

Mas, como em qualquer outra escola, problemas também existem. Atualmente, a estrutura física já é limitada. Faltam, por exemplo, dois laboratórios. O quadro funcional e o atendimento ao aluno carente (que muitas vezes enfrenta, por exemplo, dificuldades até para se deslocar ao colégio) são obstáculos enfrentados. O CTI não tem orçamento próprio. Seus pagamentos são desembolsados pela Faculdade de Engenharia da Unesp.

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Vestibulinho

O vestibulinho também contribui para o perfil do CTI. Por ser difícil, o aluno aprovado já comprova nível acima da média. Até por conta da prova, normalmente demonstra mais interesse no curso, avalia a aluna do 3ª ano do curso de informática, Giulia Fragoso Grigoli. Ela atribui o bom desempenho no Enem à competência dos professores e, principalmente, ao empenho dos alunos.

E a batalha começa no ingresso ao colégio. Na última prova, concorreram 1.307 candidatos para 245 vagas. Neste ano, a maioria dos aprovados veio de escolas privadas. Os inscritos no período da manhã têm entre 43 e 45 horas de aula por semana.