10 de julho de 2026
Geral

Gordura acumulada na cintura também atinge as mulheres

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Até há pouco tempo, somente os homens tinham problemas com a indesejável “barriguinha” ou “barriga de cerveja”. Atualmente, com a mudança no estilo de vida, esse mal tem afetado também as mulheres.

De acordo com o cardiologista Plínio de Almeida Barros Neto, 31 anos, para cada três homens com barriga saliente, existe uma mulher com o mesmo problema estético e de saúde.

O médico aponta o estilo de vida sedentário e estressante como uma das razões para isso. A correria do dia-a-dia deixa a mulher sem tempo para exercícios físicos e para se alimentar de forma correta e equilibrada.

Aliás, exercícios físicos e uma dieta balanceada são a combinação perfeita para quem quer manter o corpo, a saúde e a mente em ordem. “Consumir pouca gordura trans, controlar a quantidade de carboidratos, fazer atividade física por pelo menos 40 minutos três vezes por semana, ajuda a reduzir a pressão arterial, o nível de colesterol, a resistência insulínica e, conseqüentemente, a obesidade”, orienta o cardiologista.

Ele explica que a gordura acumula na barriga e vai formando aquela indesejável saliência porque é uma das regiões do corpo onde se faz menos esforço. Uma vez acumulada, essa gordura demora a desaparecer depois. Dependendo do caso, só com lipoaspiração, mesmo assim, esse não é um procedimento que agrada os médicos.

Segundo eles, a cirurgia pode funcionar do ponto de vista estético, mas para a saúde não faz a menor diferença, porque a operação não elimina gordura visceral, que está entranhada na cavidade abdominal. O instrumento usado nessas cirurgias não é capaz de aspirá-la.

Barros Neto comenta que mesmo que a barriga não desapareça com tanta facilidade, o simples fato da pessoa realizar atividades físicas regularmente, como caminhada, bicicleta, natação e outras, melhora significativamente outros aspectos do organismo, que não necessariamente o aspecto estético.

“Hoje, está tudo automatizado. Não se levanta mais nem para trocar o canal da TV”, cita ele. O cardiologista lembra que, antigamente, as pessoas consumiam muita gordura, mas, em compensação, gastavam tudo na roça ou em outros trabalhos pesados. Agora, grande parte dos serviços é feito sentado ou com o mínimo de esforço físico. Tudo ficou mais fácil. O esforço deixou de ser físico para ser mental. “O segredo para manter um corpo saudável é queimar toda energia que entra”, recomenda o médico.

Ele cita um estudo publicado recentemente nos Estados Unidos que mostra que, seguindo no ritmo que está hoje, em 2020 cerca de 60% dos homens e 40% das mulheres sofrerão com doença arterial coronariana (DAC), o dobro do que é registrado atualmente.

A professora e doutora Sílvia Regina Barrile, 42 anos, do curso de fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC), revela que quando a mulher entra no período da menopausa é natural um aumento no acúmulo de gordura na região abdominal.

Quando jovens, elas costumam armazenar gordura principalmente nas coxas, no quadril e nos culotes, é a chamada gordura periférica. Mas após a menopausa, o acúmulo passa a ser também na barriga.

Para evitar problemas futuros, a orientação é prevenir. Segundo ela, depois que o diabetes se instala na pessoa, não tem mais como extirpá-lo. A doença pode ser apenas controlada, mas não eliminada. Então, quanto mais exercícios e alimentação equilibrada, menores são as chances do diabetes aparecer.

Em seu trabalho de mestrado, Sílvia submeteu 42 mulheres com obesidade abdominal a uma rotina de exercícios e dieta balanceada. Após dois meses fazendo apenas exercícios, as mulheres apresentaram redução nas taxas de glicemia e triglicérides.

Nos outros dois meses, os exercícios foram associados à dieta. Houve redução de peso e uma melhora na resistência insulínica (um distúrbio hormonal que precede o diabetes).

Ela lembra que muitas pessoas reduzem a carga de remédios quando começam a comer melhor e a praticar atividades físicas. Atualmente, Sílvia e equipe atendem a um grupo de 27 pacientes hipertensos e diabéticos na USC e cerca de 25 na Associação dos Diabéticos. São projetos de extensão universitária, com atendimento gratuito, que têm como objetivo dar mais qualidade de vida à população.

Sílvia explica que normalmente as atividades duram cerca de uma hora e meia. Os pacientes começam medindo a pressão arterial, depois partem para o aquecimento, a caminhada ou bicicleta, e no fim é feito alongamento e relaxamento. Tudo acompanhado de perto pelos alunos de fisioterapia, que controlam a freqüência cardíaca dos pacientes o tempo todo.

A professora lembra que, nas pessoas que têm barriga grande, a sobrecarga na região lombar, por causa do peso abdominal, diminui os espaços entre as vértebras, o que pode provocar hérnias de disco, além de desgastar as articulações dos joelhos e tornozelos.