Confundidos normalmente com invasores de rede, os hackers são associados, quase sempre, àquelas pessoas que usam a Internet e o conhecimento tecnológico que possuem para fraudar sistemas e obter dinheiro de forma criminosa. No entanto, existem hackers que atuam honestamente e trabalham para tornar a vida das empresas mais segura. São os hackers com ética profissional, que usam a habilidade digital para combater a ação de colegas que preferiram o lado ruim da história. Embora muito bem remunerados, esses profissionais do bem estão em falta no mercado.
De acordo com o advogado José Antonio Milagre, que trabalha com recrutamento de hackers, os profissionais dessa área não ganham menos do que R$ 10 mil por mês. Dependendo da empresa onde trabalham ou do serviço que realizam, o valor pode ser muito superior a esse.
O hacker bauruense Rodrigo Rubira Branco, 23 anos, não conta quanto ganha por mês, mas revela que a IBM, empresa onde trabalha, não consegue preencher as vagas por falta de profissionais qualificados.
Formado em sistemas de informação pela Faculdade Gennari & Peartree (FGP) de Pederneiras e com pós-graduação na área de segurança da informação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Rodrigo foi o primeiro brasileiro a ter acesso ao Playstation 3 (PS3) - o mais recente aparelho de videogame da Sony. Ele trabalhou no desenvolvimento do equipamento. O PS3, além de executar jogos, permite navegação na Web, download de vídeo e música e exibição de filmes, com o seu drive Blu-ray de alta definição.
Rodrigo foi também o único brasileiro a palestrar em 2006 na DefCon, a maior convenção de hackers do mundo, que acontece todo ano em Las Vegas (EUA). Na semana passada, ele chegou de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde permaneceu os últimos dois meses trabalhando no setor de segurança virtual de uma empresa.
Ele tinha a intenção de se mudar para lá, mas não ficou muito satisfeito com a cidade. “Dubai é uma cidade bonita, de clima quente, ideal para se criar uma família, mas ruim para quem é jovem. Nos fins de semana, não tem o que fazer. A única opção é fazer compras nos shoppings”, conta. Segundo ele, comparativamente, Dubai tem o mesmo porte de Campinas, com aproximadamente 1,3 milhão de habitantes.
O hacker Filipe Balestra, 24 anos, também esteve em Dubai na mesma época que Rodrigo. Assim como o colega, está de volta ao Brasil, para ficar. Ele também não se sentiu atraído pela cidade, embora o serviço e o salário oferecidos fossem bem interessantes.
Morador de Agudos, Filipe está atualmente em São Paulo, onde o campo de trabalho para os hackers é maior e mais lucrativo. Ele passa a maior parte do tempo tentando achar falhas no sistema de segurança das grandes empresas. Quando essas falhas são encontradas, elas são apresentadas às empresas e os hackers recebem para consertá-las. Dependendo do tipo de falha encontrada, o valor pago pode chegar a muitos milhares de reais.
“A falha de segurança é uma realidade. As técnicas de invasão crescem a cada instante e as empresas se vêem impotentes diante desses ataques, na medida que a segurança básica não é suficiente para livrar a empresa”, diz Milagre. “Então, por que não recrutar pessoas que conhecem as táticas das invasões para que elas protejam a empresa?”, questiona.