08 de julho de 2026
Geral

Fraude eletrônica deu origem ao cracker

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Os hackers surgiram no ambiente universitário. A cultura hacker tem origens no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e em outros laboratórios americanos.

Antigamente, existia apenas a figura do hacker, que era aquela pessoa que tinha conhecimento avançado na área de informática e conhecia a intimidade do sistema. Com isso, conseguia invadir, fraudar, lesar pessoas ou empresas.

Com o crescimento das fraudes eletrônicas, houve um divisão. Criou-se a figura do cracker para designar o fraudador e a denominação hacker ou ‘security officer’ passou a indicar o profissional que trabalha para o bem, que está hoje nas empresas, nos bancos, no governo.

Segundo lembra o advogado José Antonio Milagre, especialista em direito eletrônico, estabeleceu-se uma guerra sem fim entre hackers e crackers. “Os hackers têm de estar sempre atualizados com as técnicas crackers para criar rapidamente métodos de neutralizar a ação desses invasores.” O hacker também atua para encontrar indícios que levem a Justiça até o autor dos crimes virtuais.

A função deles é proteger o máximo possível as empresas, mas se isso não ocorre, quando o sistema foi invadido, é deles a responsabilidade de levantar o maior número possível de informações para que o setor jurídico da empresa possa localizar o criminoso e buscar punição.

Um bom hacker implementa o “intrusion detection system” (IDS) na empresa, que é um mecanismo para a identificação de intrusos. Ele detecta quando o intruso entrou ou está tentando entrar no sistema.

Os hackers saíram da esfera criminal e passaram a usar seu conhecimento na área corporativa. As empresas perceberam que esses profissionais são os mais qualificados para oferecer-lhes segurança online. “As empresas não publicam nos jornais que precisam de um hacker. Existem redes sociais na Internet que agregam esses profissionais. Existem blogs e conferências anuais sobre isso. São locais em que você entra em contato direto com os hackers. A contratação ocorre dessa forma”, explica Milagre.

Normalmente, as empresas contratam esses profissionais para tentar invadir e fraudar o sistema delas. Durante período de aproximadamente um mês, o hacker faz de tudo para conseguir encontrar uma falha. No fim de um período, ele apresenta o relatório para a empresa apontando as falhas. Se elas realmente existem, a empresa contrata o hacker para solucionar o problema.

Milagre lembra que antigamente os hackers eram vistos como sujeitos quietos, tímidos, pertencentes às classes A e B. Hoje, eles não são tão tímidos assim. Ao contrário, têm facilidade de comunicação e estão presentes também nas classes C e D. “O hacker, hoje, é um profissional muito valioso para o mercado”, afirma.