11 de julho de 2026
Nacional

Sumaré paga até R$ 1.000 a morador de casa sem foco do mosquito da dengue

Folhapress
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Sumaré - Dinheiro e televisores em troca de casa livre de criadouros do Aedes aegypti, limpeza de calhas e distribuição de telas e capas para caixa-d’ água. São algumas das iniciativas de prefeituras do Interior de São Paulo no combate ao mosquito. Segundo elas, as estratégias tradicionais - como a distribuição de panfletos e o trabalho de conscientização em cada casa- não surtem mais efeito na maneira como a população lida com o mosquito.

Em Sumaré (118 quilômetros de SP), que viveu uma epidemia da dengue em 2007, a prefeitura distribui um total R$ 50 mil a moradores cujas casas ou terrenos estiverem isentos de criadouros. O morador sorteado ganha R$ 1.000,00, e seus dois vizinhos, R$ 500,00 cada um. O projeto do prefeito José Antonio Bacchim (PT) foi aprovado por unanimidade pela Câmara em dezembro. O sorteio da casa do morador é por meio do código do IPTU.

A partir da casa sorteada, a prefeitura escolhe dois vizinhos (um da direita e um da esquerda). O dinheiro só é dado se os três moradores estiverem com a casa em ordem. Na semana passada, o prêmio acumulou três vezes porque foram encontrados criadouros do mosquito nas casas vistoriadas.

A sorteada Ana Cláudia de Souza, 25 anos, não ganhou o prêmio porque havia acúmulo de água em uma lona de piscina no quintal. “Sempre escôo a água. Mas choveu à noite e ainda não tive tempo de fazer isso”, disse ela na quinta-feira. Mesmo que tivesse escoado a água, Ana não ganharia os R$ 1.000,00 porque sua casa fica entre dois terrenos baldios, onde foram encontrados criadouros do mosquito. No dia anterior, a moradora Rita de Cássia Lourenço e seus vizinhos ganharam um total de R$ 2 mil. “O dinheiro é bom, mas o mais importante é a prevenção”, afirma Rita.

Segundo Sérgio Rumin, coordenador do combate à dengue em Sumaré, a idéia da premiação surgiu como uma forma de chamar a atenção da população. E não há o risco de as pessoas limparem seus quintais só por conta do prêmio e depois relaxarem na prevenção? “A prefeitura previu outros sorteios no final do ano para manter a motivação”, garante Rumin.

Campo Grande

Com 45 mil casos suspeitos só no primeiro trimestre do ano passado, Campo Grande (MS) conteve a epidemia e, em 2008, vem obtendo números inferiores aos da fase crítica. Uma medida que ajudou a melhorar a situação, segundo a prefeitura, foi a adoção de uma gincana - com prêmios entre R$ 5 mil e R$ 20 mil em dinheiro - para premiar aqueles que recolhessem, pelas ruas e terrenos, a maior quantidade de potenciais criadouros.

De janeiro a março deste ano, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, foram notificados 669 casos suspeitos - queda de 98,5%, em relação ao mesmo período de 2007. Os casos confirmados também caíram (98%), de 3.944 para 78 casos. Além da gincana, foi criado o “Disque Dengue’’ para denúncias de situações de risco. As medidas, de acordo com a prefeitura, custaram R$ 5 milhões.