No Natal de 87, o governador Fernando Collor, de Alagoas, voltava da China, desceu em Roma. O embaixador Alberto Leite Barbosa o convidou para um jantar. Jânio passava por Roma, a caminho da Turquia, Calos Alberto o convidou também.
Quando Jânio chegou à magnífica embaixada da Piazza Novona (onde eu moraria em 90 e 91, como adido cultural, antes de ir para Paris, em 92 e 93), Collor já estava lá. Jânio entrou com passos largos e um casacão preto pesado. Abriu os braços para Collor, escandindo as sílabas:
- Meu caro governador, que bom este encontro. Fiquei feliz.
- Eu também, presidente. Não sabia que estava por aqui.
- De passagem, governador. A caminho de Istambul. Gosto muito do mundo árabe. É um dos nossos passados. Estou lendo nos jornais, que me chegam do Brasil, que é candidato a presidente da República no próximo ano.
- Ainda não sei, presidente. É uma idéia de alguns amigos.
- Governador, parece-me muito jovem para presidente, aos 40 anos.
- A mesma idade com que o senhor foi presidente.
- E deu no que deu, meu caro! Deu no que deu!!!!
Extraído do livro Folclore Político, de Sebastião Nery