11 de julho de 2026
Bairros

Dengue: tem quem crie larva do Aedes aegypti para alimentar peixes no aquário

Por Luciana La Fortezza | Da redação
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto a epidemia segue sem controle no Rio de Janeiro e casos de doença não param de ser notificados em Bauru, agentes de controle de endemias flagram absurdos nos mais variados bairros da cidade. Há, por exemplo, quem crie larvas de Aedes aegypti para alimentar peixes no aquário. E, pasmem: a prática foi identificada num bairro onde vivem famílias abastadas.

Aliás, desatinos são mais comuns entre as classes média e alta, informam os profissionais da saúde. Em bairros elegantes, o trabalho deles muitas vezes é impedido porque o proprietário da casa é médico, dentista, advogado ou tem curso superior. Mas simultaneamente, são encontradas larvas até em copos com dentadura. Tantos contra-sensos podem ser resumidos numa única palavra: negligência.

Ela pode ser, inclusive, confirmada nas ruas, onde a população reitera o desleixo generalizado para com o assunto. Os descuidos em casa, no entanto, não são os únicos responsáveis. O poder público também tem sua parcela de culpa ao não priorizar o problema, apesar da evolução dos casos. Sem colocar a dengue na ordem do dia, a mudança de hábito cobrada da população se limita ao distante plano do ideal.

Porém, assessores de comunicação da União, Estado e Município são rápidos ao apontar as medidas adotadas para impedir o avanço da doença. Na linha de frente, tecem sutis críticas às instâncias superiores ou inferiores. Afinam o discurso enquanto os diretamente responsáveis pela área estão tão ocupados tratando da questão, que se dizem impedidos de conversar com a reportagem.

De bem

“Hoje, ninguém assume nada. Todo mundo quer ficar de bem de todo mundo”, sintetiza o infectologista Marcelo Pesce, médico de vários pacientes com dengue. Ele conta que o início do século 20, o então presidente da República, Rodrigues Alves, deu plenos poderes ao médico Oswaldo Cruz para executar um grande projeto sanitário. Na época, um dos problemas era a epidemia de febre amarela, doença que, na época, também não contava com vacina.

Ele criou as brigadas mata mosquitos, grupos de funcionários do serviço sanitário que invadiam as casas para desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela.

O empurra

As ações de educação e comunicação relativas à dengue são descentralizadas, informa a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Segundo o órgão, cabe à União liberar recursos aos municípios. Por conhecerem a realidade local, são deles a atribuição de desenvolver campanhas próprias.

No entanto, a Prefeitura de Bauru recebe mensalmente do Governo Federal só R$ 81 mil para custeio de todas as ações de vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental. O valor inclui salários, capacitação e materiais de consumo, informa a assessoria de imprensa.

De acordo com o órgão, somente com pagamento de salários e encargos trabalhistas dos agentes de controle de endemias, a administração municipal gasta por mês R$ 110 mil. Apesar da dificuldade, a responsabilidade do município também é ressaltada pela assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde.

No entanto, para reforçar as campanhas elaboradas pelos municípios paulistas, o Estado liberou R$ 40 milhões. Ainda contribui para capacitar os profissionais de combate à dengue, informa o órgão de comunicação.

Ele acrescenta que, em situações específicas, como são realizadas grande número de casos ou diante de solicitações, ações como o Dia D de Combate à Dengue e a Semana Estadual de Combate à Dengue.

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Vizinho

Um dado curioso do levantamento encomendado pelo Ministério da Saúde é a que 55% dos entrevistados acham que se o vizinho não tomar as precauções necessárias para evitar dengue, as medidas que ele mesmo adotar não adiantarão. Em Contagem, esse percentual sobe para 63%.