Quando o primeiro brinquedo eletrônico foi lançado no Brasil, e isso ocorreu há 26 anos, o computador era um artigo de luxo até nas empresas, muitos ainda tinham TV em preto e branco e o telefone celular não passava de mera ilusão. Mas com o tempo, o avanço da informática e da tecnologia acabou por exigir que os brinquedos também não ficassem para trás. Tanto que, hoje, muitos deles imitam a realidade. E a realidade está cada vez mais ligada a serviços eletrônicos.
“Nós vivemos numa sociedade da informação e da tecnologia. Não tem como não se envolver porque isso faz parte do nosso mundo”, diz a pedagoga Maria do Carmo Kobayashi. “E os brinquedos retratam o mundo”, afirma. Como exemplo, ela cita os laptops da Barbie, da Xuxa, do Batman, entre outros. Nada mais próximo da realidade do que uma criança brincando com um laptop.
Além disso, a pedagoga cita os telefones celulares, um dos brinquedos mais vendidos nas lojas e nas barracas de camelôs, os livros infantis com pilha, que emitem os sons dos animais. Tem também as filmadoras da Xuxa, o piano das Meninas Superpoderosas, a boneca dançarina com conexão USB e muitas outras opções.
Até mesmo o primeiro brinquedo eletrônico lançado no Brasil ganhou uma roupagem nova e continua no mercado. O Genius surgiu em 1982 como uma reprodução eletrônica da brincadeira “Simon Says” (“Siga o mestre...” no Brasil). Tal como na época do lançamento, ele não exige nenhum raciocínio lógico, apenas memória e um pouco de reflexo. Se você errar uma luz na seqüência ou demorar mais de cinco segundos para decidir onde pressionar, ele emite um som e o jogo termina. Como aconteceu com outros jogos antigos, o Genius também migrou para a Internet. É uma questão de sobrevivência.
E as novidades não param. Foi lançado na Inglaterra um novo modelo do Monopoly (nome original do Banco Imobiliário) que substitui as “cédulas” de papel por uma máquina com cartões de débito. Atenta às tendências de mercado, a Estrela já negocia com empresa de cartões de crédito e com o licenciador do jogo o lançamento para o Brasil desta nova versão.
Em recente entrevista para o Jornal da Cidade, o diretor de marketing da Estrela, Aires Fernandes, disse que o brinquedo é o espelho da sociedade. “Ele se torna a radiografia do que a sociedade entende por modos de viver, consumir, utensílios e máquinas existentes”, acredita ele, reforçando a tese da pedagoga Maria do Carmo.
Os brinquedos imitam a moda, seja ela estética - com as bonecas de cintura fina, como manda o padrão de beleza atual - ou tecnológica – com variação no material utilizado e na mecanização do produto. Antigamente, as bonecas eram feitas de pano e os carrinhos de madeira.
“Os brinquedos de hoje têm muita interatividade. Eles, de certa forma, estão preparando as crianças para esse mundo cheio de tecnologia”, observa a pedagoga. “Eles despertam a criatividade”, completa. Mas é preciso ficar atento a um detalhe: os brinquedos têm de possibilitar a interação com a criança. “Aquele produto que brinca sozinho deixa a criança passiva, ela não interage, não estimula a criatividade”, lembra.