“Quando esta palestra tiver terminado, pelo menos três homens ao redor do mundo terão morrido de câncer de próstata”. A afirmação foi feita pelo médico doutor Ubirajara Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia - Seção São Paulo, durante palestra realizada na manhã de ontem, na clínica Integra - Urologia e Saúde Integral, em Bauru.
O evento, que durou cerca de uma hora, fez parte da programação da segunda rodada de projetos educacionais voltados à área médica e ao público em geral do Programa de Prevenção, Apoio e Educação (Propae), criado pela clínica Integra.
A informação divulgada por Ferreira, que é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de que a cada 20 minutos um homem ao redor do mundo morre de câncer de próstata, serve para alertar os homens em geral a respeito da prevenção, única forma eficaz de se combater esse tipo de tumor.
O câncer de próstata é um mal silencioso, que dificilmente manifesta sintomas. “Quando a pessoa percebe que está com a doença, é porque o tumor já se encontra em um estágio avançado e as chances de cura são quase nulas”, explica o médico urologista bauruense Filemon Cafasus, da clínica Integra, um dos organizadores do evento.
Até o presente momento, de acordo com especialistas da área, existem apenas duas formas, que em conjunto, são eficazes para se detectar tumores na próstata: o exame de toque retal e o de PSA (sigla em inglês de Antígeno Prostático Específico), presente na corrente sangüínea dos homens.
“Os dois testes são complementares. Não há como o paciente detectar a doença sem se submeter ao toque retal”, explica o médico Aguinaldo Nardi, da clínica Integra, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia - Seção São Paulo.
Segundo especialistas, outros tipos de exames, como ressonância magnética ou ultrassonografia, ainda não são capazes de fornecer diagnósticos precisos para a doença. Um dos fatores que impede os tratamentos de serem bem sucedidos é o preconceito que boa parte dos homens nutre com relação ao exame de toque retal.
“As pessoas precisam se conscientizar de que se trata de algo rápido (dura cerca de sete segundos), indolor e não afeta a masculinidade. É como se fosse um exame de garganta ou de nariz”, explica Nardi. Quando detectado em sua fase inicial (ainda no interior da glândula), o câncer de próstata apresenta 91% de chances de cura. “Por isso a prevenção é tão importante”, frisa Ferreira.
Se o diagnóstico não for feito a tempo, o paciente corre o risco de sofrer uma metástase (quando o tumor se alastra pelo organismo). Foi o que ocorreu com o aposentado Areonthe Barbosa da Silva, 84 anos. Há 13 anos, ele sofreu uma fratura e resolveu ir ao médico. “Chegando lá, ele detectou que havia um tumor no meu fêmur direito, decorrente de um câncer na próstata não cuidado. Eu sempre fiz exames, mas acabei me descuidando e a doença avançou”, conta. Atualmente, a doença de Silva se encontra controlada, graças aos tratamentos a que vem se submetendo.