08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“Que mundo é este?”


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Sou católica, mas não praticante. Costumo dizer que minha religião é Deus, simplesmente porque o vejo em toda parte, desde uma plantinha insignificante que nasce, cresce e joga sua sementinha na terra para dar continuidade à sua geração, até as estrelas que são em número muito maior do que nossos olhos possam ver a olho nu!

Me maravilho olhando um céu estrelado à noite, pensando que há bilhões de anos, meus ancestrais, homens da caverna, as tinham sobre si também. E acho magnífico pensar na possibilidade de que também eles olhavam as mesmas estrelas que vejo hoje! Às vezes acho que é onde deveríamos ter ficado. Nas cavernas! Pois sendo mais uma raça dentre os animais, seria normal todo e qualquer ato bárbaro em nome da sobrevivência da espécie.

O toque do interfone me traz de volta de minhas divagações e me faz encarar o assunto que me despertou esses pensamentos. A morte da garotinha Isabella. Que mundo é este em que estamos vivendo? Por isso comecei falando de Deus. Independente de ter ou seguir uma religião, eu creio que devemos respeito à quase totalidade de espécies vivas do planeta. Qualquer bichinho ou inseto, tem seu lugar, espaço e serventia no mundo, quando acontece de ele invadir o nosso espaço é porque com certeza invadimos o dele primeiro. Se respeitássemos a “vida em geral” como uma obra de Deus, não cometeríamos tantos atos insanos e bestiais.

O assassinato dessa garotinha e outros milhares que a mídia nos esfrega na cara todos os dias e todas as horas. Como pode, uma mãe ou um pai (pior que desta vez foram ambos!) ter a frieza e o sangue frio de cometer um ato de tamanho descalabro contra uma inocente e frágil criança que foi gerada por eles? E essas mães que se desfazem de seus bebês assim que nascem jogando-os até mesmo no lixo? Nem os animais fazem isso!

É raro na natureza a mãe rejeitar o filhote. Cada animal ou planta que nasce, traz consigo, em sua genética, a chave da sobrevivência, por isso vemos qualquer animal, mesmo em sua primeira cria, fazer tudo como deve ser feito, e seu filhote também saberá agir quando chegar sua vez de dar continuidade a sua espécie. E o homem? Qual a genética que está passando de geração a geração? Um crime como esse da garotinha, não foi por questão de sobrevivência. Volto a perguntar, em que mundo estamos vivendo? E volto a dizer que, realmente, não deveríamos ter saído das cavernas!

Magali Martiniak Teixeira - RG 9.710.238