Balanço positivo quanto aos recursos trazidos para Bauru em volume de negócios e a volta de um evento de peso para o setor do agronegócio fecham com louros o 18º Congresso Brasileiro da Raça Quarto de Milha. Segundo o presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), Érico Braga, a reintegração de Bauru no circuito dos três maiores eventos da raça quarto de milha reflete a vocação agropecuária da cidade. O evento termina hoje, com entrada gratuita para o público.
“O congresso agora, o Campeonato Nacional da (Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha) ABQM, em julho, e o Potro do Futuro, em outubro, geram renda para a cidade. Esperamos que isso conscientize para as melhorias que o Recinto Mello Moraes precisa”, completa. Para o presidente da ABQM, Ovídio Vieira Ferreira, o congresso surpreendeu pelo aumento das inscrições em 30% e movimentação nos leilões. Até a tarde de domingo, os negócios ultrapassavam os R$ 4,5 milhões.
O evento de seis dias trouxe à cidade, além de palestras e cursos, 1.591cavaleiros e proprietários que competiram em 12 modalidades em busca do rateio dos cerca de R$ 390 mil estimados em premiações, além de troféus e 117 fivelas importadas dos Estados Unidos entregues aos campeões. Dos 23 Estados brasileiros, 19 estavam representados nas competições. São Paulo participou com o maior contingente de competidores, foram 1.113, enquanto Alagoas, Pará e Rio Grande do Norte enviaram um participante cada.
A prova com maior número de inscritos foi a popular “Três Tambores”, onde o cavaleiro – ou amazona – deve cumprir um circuito contornando três tambores no menor tempo possível, sem cometer erros. O total de participantes chegou a 1.531 e o número de animais a 445. Só essa modalidade concentrava cerca de R$ 137 mil em prêmios e 15 fivelas.
Segundo a ABQM, o impacto econômico em Bauru foi de aproximadamente R$ 3 milhões, gastos na rede hoteleira e de gastronomia, comércio e servicos como locação de veículos. Porém, Braga avalia que a grande procura pelo congresso por investidores, competidores e visitantes geraram cerca de R$ 10 milhões em consumo para Bauru. Foram mais de 15 mil pessoas de outras localidades na cidade durante o evento no Recinto Mello Moraes.
Sobre a raça
E falando em superação, os animais garantiram além de bom desempenho nas provas, um espetáculo aos olhos. Segundo Ovídio Vieira Ferreira, presidente da ABQM, garanhões e éguas cresceram em qualidade. “A cada ano o padrão sobe, porque a genética é melhor observada. Só se agrega valor se há melhoramento genético”, conclui. Para Ferreira, o investimento deve continuar crescendo, já que o quarto de milha é uma raça que “motiva a juventude” e passa como herança através das gerações de criadores.
A raça quarto de milha surgiu nos Estados Unidos por volta do século 17, os primeiros exemplares foram trazidos da Arábia e Turquia por exploradores e comerciantes espanhóis e cruzados com éguas inglesas. A raça resultante do cruzamento era aplicada na lida com o gado e na “diversão de final-de-semana”, as corridas de um quarto de milha (402 metros). Tal corrida originou o nome da raça de cavalos.
No Brasil, o ano de 1955 marca a chegada de seis animais da King Ranch, famosa fazenda texana. Por sua vez, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) foi fundada em 1969, no Parque da Água Branca, em São Paulo.