Cores e movimento. Vigor físico - apesar de parecer fácil, treino e uma aura de contentamento. Essas são algumas das definições e sensações que um espectador de malabarismo tem. Um pouco disso tudo pôde ser visto e experimentado por inexperientes aspirantes a malabaristas ou por quem já tem um pé - ou os dois - nesta arte circense. É que ontem, cerca de 800 pessoas se dividiram entre as 16 oficinas e muitas modalidades na sede do Serviço Social do Comércio (Sesc) durante a etapa bauruense do InterCircu - Circuito de Malabares e Circo do Interior Paulista.
O evento, em sua primeira edição, é um circuito de convenções de malabarismos e artes circenses que será realizado em diversas cidades do Interior no decorrer deste ano. A primeira etapa ocorreu em março, na unidade Sesc São Carlos e a próxima está marcada para o dia 8 de junho, em Botucatu.
A malabarista e organizadora do evento, Marina de Pinho, 25 anos, conta que o InterCircu surgiu da união de três trupes do Interior de São Paulo: a Sincrônicos, de Bauru, a Circo no Trilho, de São Carlos, e a AtrupeLados, de Botucatu. “Nos encontramos na 9ª Convenção Brasileira de Malabares e Circo, em Curitiba, juntamos os malabaristas ‘caipiras’ e resolvemos procurar apoio para o o projeto” diz.
A bagunça toda começou porque os malabaristas das três trupes receberam tantas mensagens de interessados na arte do malabarismo pelo site de relacionamentos Orkut que uma ação, uma oficina pequena não daria conta do recado. “Foram entre 300 e 400 contatos via comunidade (do Orkut), que pensamos em ampliar a idéia. Então conseguimos patrocício da JR Malabaris, que reuniu os oficineiros e materiais e do Sesc que cedeu o espaço”, completa de Pinho.
Entre os oficineiros em questão estão alguns dos melhores malabaristas do Brasil como Igor Lagos e Richard Santos. Lagos, paulistano de 24 anos, começou aos 18 praticando, exclusivamente, Devil Stick por um ano, depois passando pelas bolinhas e, hoje, “mandando bem” em todas as modalidades que exijam destreza e equilíbrio.
“O malabarismo ajudou a me centrar e concentrar, hoje faço dele minha profissão”, revela Lagos. Ele, que trabalhava com mecânica de precisão e arte heraldica, há cinco anos vive exclusivamente dos malabares. “Passei pelo Hopi Hari e Playcenter fazendo apresentações diversas, inclusive com manipulação de fogo. Hoje, trabalho para a JR Malabaris e numa equipe que se apresenta em festas e raves, além de me apresentar em faróis na Zona Leste de São Paulo”, conta. Lagos também traz no currículo títulos como o de Campeão Paulista com Cinco Claves e o recorde brasileiro em monociclo. O artista permaneceu por 5h45 e mais de 61km sobre a bicicletinha de apenas uma roda.
Na outra ponta da experiência – mas não do talento – está a única garota a se inscrever para a oficina de claves no InterCircu. Victória Berganimi, 12 anos, é ‘amadrinhada’ da organizadora Marina de Pinho e há cerca de um mês se dedica ao arremesso de claves. “Me interessei primeiro pelo diabolô, depois pelas bolinhas e, agora, estou aprendendo as claves. O próximo são os passes de clave”, conta.
Atrações e origens
As atrações do InterCircu também se estenderam pela noite, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, em Bauru. Gratuito para o público geral, o espetáculo “Rua, Strabe e Street”, do Circo Zé Brasil (SP), abriu as apresentações às 19h30. Depois, nos palcos externos, a banda “Acrobata Nacional”, os Renegados, malabares de fogo e luz encerraram a etapa.
O circuito parece ter dado certo em seu propósito de expandir o movimento circense e disseminar diversão. E pensar que toda a ação começou há cerca de dois anos, quando Marcelo Pinho e Marina de Pinho resolveram brincar com seus malabares no Parque Vitória Régia. Ali, a cada domingo, um novo adepto da arte que originou os Sincrônicos e, enfim, o InterCircu.