São Paulo - A defesa do casal Alexandre Alves Nardoni, 29 anos, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta de Isabella Nardoni, 5 anos, informou ontem que os dois não vão confessar a autoria do assassinato da menina porque eles se declaram inocentes.
O advogado tributarista Antonio Nardoni, pai de Alexandre, afirmou a mesma coisa em entrevista concedida também ontem à imprensa.
O advogado Rogério Neres, que compõe o trio de defesa com Marco Polo Levorin e Ricardo Martins, disse que não há possibilidade de confissão. “O casal nega essas acusações para os advogados, para a família, para a polícia, para o público, para todo mundo. Se eles declaram que são inocentes o tempo todo, não há possibilidade de confissão”, afirmou Neres.
Ele disse que os dois interrogatórios pelos quais Nardoni e Jatobá passaram reforçam a inocência do casal.
Eles prestaram depoimento no dia 30 de março _ um dia após a morte de Isabella _ e também entre a última sexta-feira e a madrugada ontem, quando ficaram por 17 horas na delegacia. “Eles foram submetidos a dois longos interrogatórios. No primeiro e no segundo, não confessaram. Estão convictos da inocência deles”, afirmou.
Nardoni e Anna Jatobá foram indiciados por homicídio doloso (com intenção de matar) triplamente qualificado por impossibilidade de defesa da vítima, motivo torpe _ que demonstra imoralidade do autor _ e meio cruel.
Segundo a polícia, Isabella foi agredida, asfixiada por Jatobá e jogada por Nardoni da janela do apartamento do pai, no sexto andar do edifício London, na região do Carandiru (zona norte de SP), em 29 de março.
A versão da defesa é a de que uma ou mais pessoas entraram no prédio e cometeu o crime.
Verdade
O avô paterno de Isabella reforçou a alegação de inocência do casal. “Ele está muito abalado. Ela, também. Porque é muito complicado você dizer a verdade. As pessoas acham que eles poderiam confessar que foi um acidente, que para eles seria mais fácil. Com certeza, se tivesse ocorrido alguma coisa, eles já teriam dito, até porque seria melhor para eles”, disse.
Antonio Nardoni também criticou a maneira como a polícia conduz a investigação.
Para ele, há inconsistências, entre elas o fato de testemunhas de defesa só terem sido ouvidas após pedido judicial. “A polícia não se interessou em ouvi-las”, afirmou, dizendo que ficou “muito chateado” com o fato de a população condenar seu filho.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública não comentou o fato alegando sigilo nas investigações.
Reconstituição
A Polícia Civil pretende realizar no domingo a reconstituição do assassinato de Isabella.
A data foi escolhida para não atrapalhar o trânsito na região.
A investigação quer refazer o caminho feito pela família desde Guarulhos, quando deixaram a casa dos pais da madrasta, até a morte da garota. O GPS do carro de Nardoni indicou que foi de 12 minutos o intervalo entre o desligamento do veículo e o primeiro chamado de resgate.