10 de julho de 2026
Internacional

Lugo sai na frente no Paraguai

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Assunção - O candidato opositor e ex-bispo católico Fernando Lugo liderava ontem à noite a contagem inicial de votos da eleição presidencial no Paraguai que pode acabar com 61 anos do Partido Colorado no poder.

Com 30,81% das urnas apuradas, Lugo tinha 39,57% dos votos, seguido pela governista Blanca Ovelar com 32,27% das preferências, segundo o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.

Pesquisas de boca-de-urna apontaram vitória de Lugo, que largou sua vida religiosa para combater a pobreza através da política. Segundo três sondagens, o centro-esquerdista Lugo, 56 anos, e favorito das pesquisas de intenção de voto, obteria entre 41,4 e 43%, contra 36,4 a 37,9% de Blanca Ovelar, sua maior rival.

O ex-bispo, que é adepto da Teologia da Libertação e tomou cuidado para não ter sua imagem ligada a líderes populistas latino-americanos, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu uma reforma agrária e quer renegociar os acordos energéticos que o país tem com Argentina e Brasil.

Uma boa parte das zonas eleitorais concluiu suas atividades às 16h (horário local). Por volta das 17h15, a Justiça eleitoral começou a informar os primeiros resultados da apuração das eleições, que serão decididas em turno único a favor do candidato que obtiver a maior quantidade de votos.

Com uma bandeira paraguaia no colo, Lugo saudou, de dentro da sede de sua coalizão, seus simpatizantes, que festejavam. “Vocês são culpados da alegria da maioria do povo paraguaio... Hoje podemos afirmar que os pequenos também estão capacitados para vencer”, disse ele, sem admitir a vitória. A alegria contrastava com o clima no comitê do Partido Colorado, que estava quase vazio após o anúncio da boca-de-urna.

O Partido Colorado domina a política paraguaia desde 1947 e seu poder se consolidou em 1954, quando o general Alfredo Stroessner deu um golpe de Estado e instaurou uma brutal ditadura que caiu em 1989 após uma revolta liderada por al guns setores da mesma legenda.

Tranqüilidade

O presidente eleito receberá no Executivo uma economia que cresceu 6,4 % em 2007 graças às exportações de soja. O país, entretanto, apresenta um nível de pobreza que alcança cerca de 40% da população.

De manhã, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, admitiu que existia grande expectativa, mas também alguma tensão, dada a relevância deste processo eleitoral. “O povo está saindo para depositar seu voto com uma grande confiança. Tensão sempre existe em dia de eleições”, afirmou Duarte, que enfrentou uma grande fila antes de votar em um colégio da capital Assunção.

Um dos primeiros paraguaios a votar foi Lugo, que chegou à mesa de votação de um colégio nos arredores da capital em meio a uma grande massa de jornalistas locais e estrangeiros.

“Creio que será uma grande jornada histórica”, disse Lugo, que lidera a coalizão Aliança Patriótica para a Mudança. Pouco depois, o ex-bispo precisou abandonar rapidamente outro local quando, segundo um colaborador, seus rivais políticos lançaram uma bomba de pimenta e a polícia deteve um menor de idade que tinha em seu poder um punhal de fabricação caseira.

Segundo a Organização de Estados Americanos, a votação transcorreu de maneira tranqüila, com incidentes isolados e sem qualquer informação sobre tentativa de fraude.

Cerca de 2,8 milhões de pessoas estiveram habilitadas a votar no país de 5,6 milhões de habitantes, que tem uma das menores economias da América do Sul e má fama em matéria de corrupção, falsificação e contrabando. Além do presidente e vice, os eleitores também escolhem o novo Congresso, com 45 senadores, 80 deputados, 17 governadores regionais e dezenas de legislaturas locais, para um período de 5 anos. O presidente eleito assumirá em 15 de agosto.