Há quase duas semanas cada cidadão brasileiro que liga sua televisão tem o desprazer de relembrar o trágico incidente com a menina Isabella Nardoni, ou “Caso Isabella” (nome dado pela mídia a seu mais recente pote de ouro), em que supostamente o pai e a madrasta teriam matado a menina por asfixia e logo após arremessado-a do quinto andar do prédio onde residiam. O crime, que foi classificado como homicídio doloso, triplamente qualificado, com agravantes de motivo torpe, por meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima, nos deixa profundamente desesperançados com o futuro da humanidade, fazendo crer que afinal o ser humano não tem salvação e tudo está perdido. Crimes como esse chamam a atenção pela desumanidade extrema e chegam a parecer raros em nosso cotidiano. Porém, se pensarmos um pouco, esta atrocidade não é novidade, está e sempre esteve presente no dia-a-dia de cada brasileiro.
Sempre que nos abordam para questionar algo sobre o cenário atual da política brasileira declaramos o nosso desgosto em face aos inúmeros casos de corrupção e o número absurdo de CPIs formadas para iniciar supostas soluções e terminar em saborosas pizzas. Afinal, não estariam os nossos representantes legais asfixiando toda a ética e moral que deveriam estar presentes em uma República Democrática?
O Direito Penal define homicídio doloso como sendo o crime que é cometido voluntariamente visando a morte. Quando qualificado por motivo torpe, significa que a pessoa o fez sem motivo, futilmente. Enfim, não é o que se vê acontecer com os direitos da população? Não estariam os políticos assassinando a justiça ao arrombar os cofres públicos e utilizar o dinheiro suado de seus iguais por motivos fúteis, jogando pela janela toda a gente sofrida e miserável junto com sua esperança quase inesgotável? Então, infelizmente pode-se concluir que crimes como este que o país está confrontando atualmente não passam de reincidências em uma sociedade materialista e sem futuro aparente como a brasileira. Isabella sou eu. Isabella é você. Isabella somos todos nós.
João Victor Moretto Boarato - Lençóis Paulista