09 de julho de 2026
Internacional

Hamas desmente Carter de que iria reconhecer Israel

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - Khaled Meshaal, líder do grupo extremista islâmico Hamas, desmentiu ontem o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e afirmou que não irá reconhecer o Israel, mas está preparado para aceitar a criação de um Estado palestino na terra ocupada pelo Estado judeu em 1967. Carter afirmou, ainda ontem, que o Hamas estaria preparado a aceitar o direito de Israel “viver em paz como um vizinho de porta”, o que foi desmentido pelo líder do Hamas Meshaal, que comentou as afirmações de Carter após dois encontros com o ex-presidente em Damasco neste fim-de-semana.

“Nós aceitamos um Estado nas fronteiras de 4 de junho (de 1967), com Jerusalém como capital, com real soberania e com inteiro direito sobre o retorno de refugiados, mas sem reconhecer Israel”, afirmou Meshaal para repórteres.

As “fronteiras de 4 de junho” são anteriores à Guerra dos Seis Dias, na qual Israel tomou o controle da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas do Golã. Meshaal, quem Carter tenta incluir nas negociações de paz entre o presidente palestino Mahmoud Abbas e Israel, afirmou que iria respeitar “um Estado palestino mesmo que ele fosse contra suas convicções”.

Carter afirmou que Meshaal, quem encontrou na sexta-feira e no sábado passados, recusou os seus apelos de um cessar-fogo com Israel para “acabar com a violência que ameaça os esforços para a paz”. “Eu fiz o máximo que pude nessa questão”, afirmou Carter.

Carter disse que Mashaal insistiu por um cessar-fogo recíproco e não o aceitaria de forma unilateral. Carter afirmou ainda que propôs a Meshaal uma troca de prisioneiros entre Israel, que possui mais de 11 mil presos palestinos e o Hamas que, junto com outros grupos militantes islâmicos, capturou um soldado israelense em 2006 na fronteira de Gaza. A troca foi recusada pelo líder do Hamas.

Israel retirou suas tropas da Faixa de Gaza em 2005, mas ainda controla as fronteiras e reforçou suas restrições até que o Hamas se retire do poder. O governo americano, que se recusa a fazer acordos com a organização islâmica e não apoiou a viagem de Carter, afirmou que “não viu mudanças nas posições do grupo”. “Nós temos que olhar para os comentários públicos e também temos de olhar para as ações, e ações falam mais do que palavras”, disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.