“O mais difícil era lidar com o sono”. Assim avaliou Luis Barbosa, bauruense de 48 anos que, no último dia 7, iniciou uma maratona que mudaria sua vida. Praticante de pequenas provas de atletismo há mais de dez anos, o dentista (ou atleta?) se preparou por mais de três meses para a Brasil Wild Extreme - Corrida das Fronteiras, uma prova de resistência que passou por quatro Estados brasileiros. Barbosa foi o único bauruense a competir na prova.
A largada ocorreu no dia 7, segunda-feira, da cidade de Paulo Afonso, na Bahia. O primeiro desafio foi remar por 70 quilômetros, seguidos de trekking e de bike apenas com orientação de bússola e mapas pouco detalhados. Barbosa, que integrava a equipe Pé de Cobra/Selva Aventura, era o mais experiente do grupo que ainda continha uma mulher e dois homens.
O trecho escolhido para a maior corrida de aventura expedicionária do Brasil teve um percurso diferenciado, valorizando a técnica, a navegação e passando pelos locais mais bonitos da Região Nordeste. Os competidores largaram da Bahia, passaram por Pernambuco, Sergipe e Alagoas e retornaram à cidade baiana de Paulo Afonso. Com várias opções estratégicas, as equipes passaram por trechos de sertão, em plena caatinga, em partes da Serra da Água Branca e Xingó e nos canyons do rio São Francisco. Sem dúvida uma aventura e experiência de vida.
“O percurso era amplo e não havia um caminho claro a seguir”, explicou Luis Barbosa. Para completar os 620 quilômetros da prova, as 48 equipes das 58 inscritas tiveram que realizar desafios de canoagem, trekking, bike, escalada, rapel, tiroleza e natação com pouco tempo para o sono. “O desgaste físico nem é o maior problema. O que mais pega é o emocional. É você lidar com o sono depois do terceiro ou quarto dia”, relata o bauruense, que em determinado momento da prova teve de tomar o líqüido de cactos da caatinga, além de cruzar com cobras pelo caminho durante à noite.
“O que mais me impressionou nesta expedição foi o povo daqueles vilarejos onde passávamos. A forma como eles nos recebiam de coração aberto. Muitas vezes eles ofereciam o que tinham para comer e nos deixavam tomar banho na casa deles. São muito solidários”, ressaltou. Por conta do cansaço devido ao empenho que a prova pedia, Barbosa contou que alguns competidores chegavam a dormir durante a corrida. “Tinha horas que percebia que estava remando dormindo. Durante o trekking, um membro da equipe dormiu andando. O corpo chega a um ponto que relaxa mesmo fazendo o exercício. Dorme, mas o movimento continua.”
____________________
Fique por dentro
A corrida de aventura pode ser definida como um evento sem paradas obrigatórias, com a participação de equipes composta por quatro integrantes, sendo ao menos uma mulher. Também podem competir trios ou duos. Em alguns casos pode ser chamada de uma expedição com horário limite. O objetivo da competição é ser a primeira equipe completa a cruzar a linha de chegada. As origens das corridas de aventura estão ligadas à corrida multi esportiva (corrida em montanha, canoagem e mountain bike) realizada na Nova Zelândia, chamada Coast to Coast.