11 de julho de 2026
Bairros

Acomodação correta de criança no carro e pneu ‘careca’ são ignorados

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Dois temas relacionados ao trânsito que poucos motoristas dão a devida atenção são as condições de conservação dos pneus e o transporte correto de crianças nos veículos. Além do risco de acidentes, o que muita gente não sabe é que descumprir as normas implica em multa grave - no caso dos pneus desgastados - e gravíssima - no caso do transporte incorreto de crianças.

Um dos erros mais comuns dos motoristas é no transporte de crianças pequenas nos veículos de passeio. É muito comum elas sendo acomodadas de maneira errada pelos próprios pais. O problema é que, em caso de acidente, essa criança será a primeira a sofrer lesões com o impacto, podendo até morrer, se não estiver sendo transportada de maneira adequada.

Segundo estimativas, no Brasil mais de 1.200 crianças morrem por ano em decorrência de acidentes de automóvel. Entretanto, cerca de 90% dessas mortes poderiam ser evitadas com a utilização correta de um equipamento de segurança. Os riscos de lesão também seriam reduzidos em 71%.

Uma das causas do alto número de acidentes é o hábito de se transportar as crianças soltas ou no colo de um adulto - em caso de colisão, elas podem ser expelidas do veículo ou arremessadas contra as partes internas do veículo (vidros, painel, bancos).

A regra número um para transporte de crianças no carro é: o lugar delas é no banco traseiro, de preferência no centro do banco, com cadeirinha de segurança. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina, em seu artigo 64, que crianças de até 10 anos devem ser transportadas nos bancos traseiros e usar, individualmente, cinto de segurança ou sistema de retenção equivalente.

O tenente Silmar Escareli, comandante da Base Comunitária de Trânsito da Polícia Militar, afirmou que em Bauru é muito comum ver pais transportando filhos sem os equipamentos de segurança adequados. Mas há há três tipos de cadeiras, adequadas ao tamanho de cada criança. O primeiro modelo é o chamado bebê conforto, que deve ser usado desde o nascimento até a criança pesar aproximadamente 9 quilos. Essas cadeirinhas têm acessórios que protegem e firmam o pescoço do bebê.

De acordo com a soldado feminino Vilma Martins Oliveira, da Base de Trânsito de Bauru, o bebê conforto deve ser fixado de forma que a criança fique virada para trás, para que, em caso de impacto, ela não seja projetada para frente, o que pode causar lesões, mesmo estando na cadeira. “É importante lembrar que não se deve deixar o bebê sozinho no banco de trás, mesmo com a cadeirinha”, frisou.

A partir dos 9 quilos até 18 quilos, ou aproximadamente até 4 anos de idade, deve ser usada a cadeirinha fixa. Por último é utilizado o booster, para crianças com mais de 18 quilos e até 36 quilos, menores de 1,45 metro de altura. O booster é uma almofada com suporte rígido e dispositivos, projetada para ser fixada no banco traseiro do carro, permitindo que o cinto de segurança seja colocado na posição correta. Mas como identificar se o pneu está gasto e já está na hora de trocar? De acordo com Evano Vieira Fortunato, vendedor de uma grande rede de lojas do ramo, os pneus possuem um indicador de desgaste, o Tread Wear Indicator (TWI), que significa Indicador de Desgaste de Pneu.

Fortunato afirma que o TWI está localizado em quatro pontos do pneu. “Em alguns modelos ele é indicado por uma seta na lateral do pneu, em outros, a indicação é feita pela inscrição TWI”, explicou. O indicador é uma espécie de elevação localizada nos sulcos centrais dos pneus. “Quando a parte de cima se desgasta e atinge o TWI, já passou da hora de trocar. O ideal é não chegar neste ponto”, disse.

O vendedor explicou que a média de quilômetros rodados para troca de pneus deve ser de 50 mil, mas há casos em que a troca pode ser feita antes ou depois. “Já trocamos pneus aqui com 95 mil quilômetros rodados”, lembrou. Outra dica importante é o rodízio dos pneus dianteiros e traseiros. De acordo com Fortunato, os dianteiros costumam se desgastar mais rápido, por isso convém inverter os pneus a cada 10 mil quilômetros.

Além da segurança dos motoristas e passageiros, a troca de pneus antes de deixar que eles fiquem ‘carecas’ pode livrar os condutores de multa e até apreensão do veículo. De acordo com Escareli, a multa é de R$ 127,69 e o motorista perde cinco pontos na carteira. “É uma infração grave”, salientou.

Em alguns casos, a documentação do veículo pode ser retida, até que o problema seja solucionado. “Se o motorista for pego com os pneus abaixo das especificações, ele terá três dias para regularizar a situação, ou terá o veículo apreendido”, frisou.