09 de julho de 2026
Geral

Farmácias voltarão a medir pressão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a ser publicada no começo do segundo semestre, fará com que as farmácias desenvolvam ações de promoção, proteção e recuperação à saúde. Ela prevê, por exemplo, que os estabelecimentos voltem a fazer medição e monitoramento de pressão arterial.

A informação foi prestada, ontem à noite, pelo diretor-presidente da agência, Dirceu Raposo de Mello, que esteve em Bauru onde discutiu com interessados estratégias para coibir serviços não referentes à saúde nas farmácias. O encontro foi promovido pelo Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, na Universidade do Sagrado Coração (USC).

“Hoje a farmácia tem um apelo comercial muito forte. Por que é ruim? Porque deixa de fazer trabalho de atenção à saúde, que é o propósito dela”, diz Mello, ao referi-se aos estabelecimentos que vendem alimentos, guloseimas e até bebidas alcoólicas. Para ele, a medida banaliza o comércio farmacêutico, sendo que o medicamento deve ser encarado como produto diferenciado.

Ao fechar o cerco às farmácias que teriam se distanciado de seu papel social e sanitário, a Anvisa quer que elas agreguem valor ao trabalho de saúde. A mesma resolução, que contempla as duas vertentes, também prevê que clientes procurem os estabelecimentos para fazer inalação e nebulização a partir de prescrição médica.

Outros serviços prestados são acompanhamento farmacoterapêutico, aplicação subcutânea, intramuscular ou intradérmica de medicamentos injetáveis, medição de temperatura corporal, além da medição e monitoramento da glicemia capilar.

“A gente quer que a farmácia não simplesmente deixe de comercializar o sorvete, a cachaça, daqui a pouco o morango e também a alface. Queremos que ela deixe de fazer isso e agregue valor à saúde. Ela pode ser uma grande aliada do poder público e da população para tratar de uma doença prevalente, uma endemia na região”, acrescenta Mello, que também é farmacêutico bioquímico.

Se isso acontecer, os estabelecimentos atuarão mais fortemente como pontos de orientação, em casos como o da leishmaniose.

“Acredito que o trabalho à saúde substitua o viés comercial porque é muito mais fácil agregar valor e fidelizar cliente com prestação de serviço à saúde do que com a venda de um refrigerante, que qualquer supermercado vende”, conclui Fábio Henrique Valentim, diretor regional do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, seccional Bauru.

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Liminares

Muitos proprietários de farmácias recorrem à Justiça para, por meio de liminar, continuar vendendo produto alheios aos medicamentos. Frente à estratégia, cabe à Anvisa recorrer, informa o diretor-presidente do órgão, Dirceu Raposo de Mello.

“Mas isso está mudando no Brasil. Tenho visto farmácias que poderiam optar por esse caminho mas não o fazem porque têm respeito na comunidade. Nós estamos trabalhando numa legislação mais rigorosa, até porque este tipo de comércio é inadequado, indevido e não tem amparo legal sob a nossa perspectiva, apesar de muitos juízes concederem liminares”, afirma.

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Ambiente adequado

Deixar o viés comercial e adotar mais enfaticamente o trabalho voltado à saúde não basta. Para funcionar como ponto de orientação à saúde, as farmácias também terão de oferecer ao cliente um ambiente adequado.

“Sou favorável que se messa a pressão arterial. Só que não pode fazer isso com o paciente de pé, na porta, entre a geladeira do sorvete e o da cerveja. Tem também que dizer claramente que aquilo não é uma consulta médica, deixar claro para o profissional e seus auxiliares que eles não podem indicar medicamento. Isso tudo se faz qualificando e normatizando o serviço”, acrescenta o diretor-presidente da Anvisa.

De acordo com ele, atualmente o Brasil conta com 72 mil farmácias, o que seria um exagero até para a Organização Mundial de Saúde. Por conta disso, é alto- no País o índice de auto medicação e indicação inadequada de medicamentos, informa. A conseqüência seria a intoxicação.

“Hoje no Brasil, a principal causa de intoxicação é medicamento. A segunda causa de morte por intoxicação é por medicamento. A primeira sabe qual é? Agrotóxico. Só tem uma diferença: na caixa do agrotóxico tem uma caveirinha. Na caixa do medicamento não tem caveirinha e mata quase tanto quanto o agrotóxico”, conclui Mello.