09 de julho de 2026
Nacional

Onda de 3 metros invade barco no Rio

Por Malu Toledo | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Uma onda com cerca de três metros invadiu um catamarã na baía de Guanabara, durante travessia de Niterói para o Rio, e provocou pânico nos cerca de 200 passageiros, ontem pela manhã. Ao menos 12 precisaram de atendimento médico. A porta dianteira do barco foi arrombada pela água, que invadiu a cabine dos passageiros.

A ressaca, que desde anteontem castiga a orla do Rio, ontem provocou ondas grandes dentro da baía - habitualmente as águas são quase paradas. O mar estava tão agitado que a Capitania dos Portos precisou fechar o trânsito marítimo na baía por quatro horas. A linha Charitas-Rio, atendida pelo catamarã, continuava suspensa até o início da noite.

O catamarã é um barco de pequeno porte que costuma ser usado como meio de transporte por moradores. Os institutos de meteorologia descartam ligação entre a forte ressaca na orla carioca e os tremores de terra na terça-feira.

O catamarã, com capacidade para 237 pessoas, saiu à 7h45 de Charitas, na zona sul de Niterói, e cerca de dez minutos depois começou a enfrentar ondas com cerca de um metro, na altura da ponta do Morcego, em Niterói. A embarcação teve de diminuir a velocidade e chegou a desligar o motor duas vezes. Uma onda de três metros atingiu a frente da embarcação e rompeu uma porta de alumínio. As pessoas que estavam sentadas na frente ficaram encharcadas e algumas tiveram ferimentos leves. O chão da embarcação ficou alagado.

O comandante do barco, Joel Moura, disse que nunca tinha enfrentado ondas tão grandes naquele trajeto.

Doze pessoas foram atendidas, entre elas duas mulheres grávidas, que foram liberadas, segundo a empresa que administra as barcas. Até a conclusão desta edição, três pessoas permaneciam em observação no hospital municipal Souza Aguiar, no centro.

Causas da ressaca

Uma frente fria no oceano Atlântico, na altura do Rio Grande do Sul, teria provocado a ressaca no litoral fluminense, segundo análises do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Marinha, do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília.

Eva Matschinske, do serviço de meteorologia da Marinha, apontou três fatores para o aumento da maré: o deslocamento da frente fria para o litoral, um vento sudoeste que ficou soprando na mesma direção do litoral e a lua na fase quarto crescente.

Segundo ela, a tendência é que a maré diminua a partir de hoje na Capital, porque o vento já se deslocou para o litoral norte do Estado.

O chefe do observatório da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Vieira Barros, disse descartar relação entre o terremoto e a ressaca e afirmou que “pode estar acontecendo uma mera coincidência”.