11 de julho de 2026
Nacional

Caso Isabella: polícia quer mostrar contradições do casal em reconstituição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A reconstituição da morte de Isabella Nardoni no domingo será o elemento principal das investigações sobre a morte da menina. A polícia espera, com a encenação, comprovar a inconsistência dos depoimentos do pai e da madrasta. A reconstituição começa às 9h, no edifício London, de onde a menina foi jogada, no Tucuruvi (zona norte).

O delegado-titular responsável pelas investigações, Calixto Calil Filho, pretende confirmar três teses: que os suspeitos caíram em contradições nos depoimentos, que brigas do casal ou gritos de criança poderiam ter sido ouvidos por vizinhos e que o tempo transcorrido entre a chegada da família e o momento do crime impossibilitaria a presença de outra pessoa.

A simulação será feita de acordo com todas as versões e deve levar cerca de dez horas. Com a reconstituição será possível avaliar cada versão em termos de tempo e espaço físico. O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Jatobá, foram intimados a comparecer. Para a polícia, ela agrediu e asfixiou Isabella e ele a jogou pela janela. Eles negam. Os advogados do casal confirmaram a presença de Alexandre e Anna Jatobá.

Para criminalistas ouvidos pela reportagem, eles deverão ir ao local para demonstrar que colaboram, mas não devem participar da versão que os incrimina. A legislação brasileira garante ao cidadão o direito de não produzir provas contra ele mesmo. O mestre em direito processual Celso Sanchez Vilardi achar “muito improvável” que Alexandre lance uma boneca do 6.º andar.

As principais testemunhas, como porteiro, a mãe de Isabella, funcionários do resgate e vizinhos que escutaram gritos também deverão estar no local. Entre 50 e 100 policiais serão mobilizados para controlar eventuais manifestantes e podem fazer o papel de alguém que se recuse a participar.

Para evitar tumulto, a polícia só permitirá o trânsito de moradores e pessoas que comprovem ir a um dos apartamentos ou casas da rua Santa Leocádia, como entregadores. Em reunião com síndicos, policiais pediram que os moradores evitem receber visitas. A polícia pediu ao Serviço Regional de Proteção ao Vôo que interditasse o espaço aéreo em um raio de 3 quilômetros sobre a rua, mas a Aeronáutica não atendeu ao pedido.