Londres - Mais de 100 mil servidores públicos - de professores a guardas-costeiros - entraram em greve ontem na Grã-Bretanha, em protesto contra o governo trabalhista, na maior onda de paralisações dos últimos dez anos.
Foi mais um golpe para o primeiro-ministro Gordon Brown, que na véspera já fora forçado por correligionários descontentes a um humilhante cancelamento nas suas políticas de cortes tributários. Na semana que vem, Brown enfrenta seu primeiro teste nas urnas, nas eleições municipais.
A greve de um dia por melhores salários incluiu também instrutores de trânsito e funcionários da Previdência e dos centros de apoio ao trabalhador. Os sindicatos estimam que a adesão foi de 100.000 a 400.000 servidores.
A Inglaterra e o País de Gales tiveram ontem a primeira greve nacional de professores em mais de 20 anos. “A greve é mais uma pedrinha na montanha de problemas de Gordon Brown”, disse à reportagem o professor Paul Kelly, da London School of Economics and Political Science.
A greve de ontem afetou mais de um milhão de alunos e um terço das escolas britânicas. Metade das escolas atingidas fechou, e a outra metade abriu apenas parcialmente. Apesar de dois terços das escolas terem funcionado normalmente, a greve é a primeira mobilização nacional de professores por aumentos de salários desde 1987, quando Margaret Thatcher ainda estava no poder.
Em menos de um ano à frente do Reino Unido, depois de dez anos de Tony Blair, os problemas de Brown se acumulam.