O pré-candidato a prefeito de Bauru pelo DEM, José Clemente Rezende, não perdeu tempo, aproveitou a presença do presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, em reunião dos demistas na Capital, ontem, e reforçou ao ex-governador a negociação por uma aliança entre as duas legendas na disputa municipal deste ano.
O próprio Clemente tratou de registrar o encontro, realizado em separado ontem durante reunião estadual dos demistas, ocasião em que o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), apresentou sua pré-candidatura a prefeito em aliança com o PMDB.
Clemente, a rigor, não foi a São Paulo para o encontro com Quércia. A agenda era do partido. Mas como em política a oportunidade faz a vez, não titubeou e expôs ao cacique peemedebista as razões da necessidade de manutenção de composição em Bauru, onde ele, Clemente, é o candidato a prefeito e o ex-secretário municipal do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho, seria o vice discutido na chapa.
A conversa pode não surtir resultado, mas veio a bom tempo. Anteontem, o JC divulgou posição pessoal (leia-se de ordem, em se tratando do cacique) do próprio Quércia de que o candidato a prefeito pelo partido em Bauru é Rodrigo Agostinho. A afirmação do ex-governador só não gerou saia justa porque ele mesmo tratou de ponderar que “Rodrigo é o candidato em caso do partido manter candidatura própria”.
Por telefone, Clemente Rezende preferiu não dar detalhes da conversa com Quércia. Mas ele não teve como esconder que o conteúdo central do diálogo foi em torno da composição em Bauru com o PMDB. “Posicionei sobre o compromisso discutido no ano passado, mas o resultado da conversa é melhor esperar por momento oportuno até para que isso não cause reações indevidas junto aos nossos parceiros”, ponderou Rezende.
Indagado a respeito da composição DEM-PMDB sair mas com a indicação dos candidatos majoritários não na ordem que ele, atualmente, prefere, Clemente acha que já está acordado que Rodrigo é o vice na chapa. “Ele (Agostinho) só não será vice se não quiser”, emendou.
Olho no segundo turno
Na avaliação de Clemente, o planejamento do DEM para as eleições não será alterado. “Nós sentamos para conversar desde o ano passado e traçamos nossos planos e ações com base no que assumimos e vamos manter. Esse plano tem como principal objetivo minha candidatura para levar a aliança para o segundo turno. Não estamos sendo pretensiosos de alavancar uma candidatura para vitória em primeiro turno em uma cidade do porte de Bauru, seria presunção demais e temos humildade em construir o projeto para a cidade visando o segundo turno”, referendou.
Sobre o fato de Rodrigo Agostinho aparecer melhor posicionado que ele Clemente em medições internas de potencial de voto realizadas pelos partidos, ele fez uma avaliação corretiva: “É preciso ter em mente o segundo turno. Não se pode rediscutir um acordo baseado em números momentâneos, no meio do planejamento que fizemos, e tendo como origem o reflexo de votos conquistados pelo Rodrigo com base na eleição dele para deputado. São eleições distintas. O Pedro Tobias ficou em terceiro na disputa com o Nilson Costa em 2000 e na eleição para deputado foi o segundo mais votado do Estado. Isso não conta na disputa local”, rechaçou.
Sobre eventuais conversações até com o PSDB, onde as sondagens continuam eclodindo nas ruas em torno da presença eventual do próprio Clemente na chapa do tucano Caio Coube, ele finalizou: “Tenho muito boa relação com a maioria dos dirigentes tucanos. Mas estamos construindo e aplicando planejamento pensando no segundo turno. Qualquer questão relativa a composição para primeiro turno em Bauru não pode ser conversada só comigo, tem de ampliar, ouvir o DEM e os demais partidos com quem mantemos diálogos”, concluiu.
Rodrigo Agostinho não foi localizado ontem à noite para comentar mais este passo das negociações entre as duas legendas em Bauru.