Engana-se quem pensa que apenas em bairros afastados é possível identificar criadouros de mosquitos como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, e o palha, da leishmaniose. Um posto de combustível abandonado no Centro da cidade, entre o cruzamento da avenida Rodrigues Alves e da rua Araújo Leite, transformou-se em foco de problemas sanitários e de segurança para moradores e trabalhadores próximos.
Fechado por tapumes, tornou-se também numa espécie de banheiro público. Em vários pontos é possível localizar fezes humanas, além de restos de alimentos. Fétido, o material reúne condições perfeitas para a multiplicação do mosquito palha. Também irradia moscas e mau cheiro pelas imediações, ressalta o gerente de vendas Márcio Donizete de Andrade.
Sua colega de trabalho Edna Pessoa, gerente de loja, acrescenta ainda que muitos clientes do estabelecimento, vizinho do local, reclamam da situação. Além disso, pela manhã, pedestres estariam impedidos de usar a calçada que circunda o posto desativado porque usuários noturnos do ponto jogariam detritos anteriormente depositados no endereço no passeio público.
“O morador do prédio ainda veio nos avisar que tem uma caixa d’água aberta. Já avisamos a zoonoses. Por causa da denúncias, o posto foi fechado, mas ficou pior”, comenta Andrade. A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou a informação prestada por ele. De acordo com o órgão, o imóvel já foi vistoriado pelas equipes do Centro de Controle de Zoonoses.
Como nenhuma providência foi adotada pelo proprietário após a vistoria, foi aplicado auto de imposição de penalidade, cujo valor não foi informado. “O ideal seria demolir”, comenta a cabeleireira Dulce Moreira. No último final de semana, usuários do posto tentaram entrar na casa dela, invadida pelo telhado. Levaram uma bicicleta do quintal.
“Aqui virou ponto para passar drogas. Também roubam e furtam coisas no Calçadão e vem esconder aqui”, acrescenta Andrade. De acordo com ele, a Polícia Militar (PM) faz blitz no local. O policiamento, no entanto, será reforçado, informa o capitão Costa Duarte, comandante da 1.ª Companhia da PM. Ele explica que pontos abandonados pela cidade são constantemente vistoriados pelo efetivo policial.
Contaminação
Vizinhos do posto desativado suspeitam que o solo do local esteja contaminado pelo combustível comercializado anteriormente. Mas a conjectura não procede, informa Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Segundo a reportagem apurou, o proprietário do local comunicou o órgão de que já retirou os tanques e apresentou laudo informando que a área não foi atingida.