11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O tiro de misericórdia na música brasileira


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Eu sou músico e professor de música formado pelo Conservatório Pio XII. Tenho quarenta e um anos, comecei aos seis. Minhas professoras sempre me ensinavam que a música era uma forma de oração e cresci pensando da mesma maneira.

Obviamente, não tenho nenhum preconceito quanto ao estilo, pois meu sustento vem da música e vivo entre alunos, estúdios, casamentos, bailes, hotéis, bares, sempre passando uma mensagem positiva através da música, mas em certos momentos o coração se aperta, a angústia aumenta e a mensagem fica esquecida, pois somos obrigados a cantar frases de profundo mau gosto, como exemplo: “Quem está com a ruela do Enio?” ou ainda “Manda seu marido embora que seu macho está chegando”.

Quando pensei ter ouvido tudo de ruim, um sujeito pegou a música e “creu! creu! creu!”... E agora, meu Deus?

Que saudades do Tim, Tom, Raul, Tonico, Belmonte, Mario Zan, Cazuza...

A indústria alimentícia sofre um rigoroso controle, pois pode por em risco a saúde pública. Já está mais do que na hora da indústria fonográfica sofrer um controle, pois põe em risco a educação pública, ou seja, a escola educa nossas crianças e adolescentes de manhã, e a música ruim “deseduca” à tarde, sem demora nenhuma!

Jeronymo Bigarelli Neto