10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Compra de celulares usados cresce no Interior do Estado

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Ao contrário do que muitos pensam, comprar um telefone celular usado não é sinônimo de mau negócio. É o que indica uma pesquisa da LatinPanel, empresa de Painel de Consumidores da América Latina, que possui informações de 15 países e acompanha a evolução de 70 categorias de produtos. No Brasil, acompanha semanalmente o consumo de 8,2 mil domicílios. Dados referentes aos anos de 2006 e 2007 mostram que, no Interior do Estado de São Paulo, houve aumento de 54% nas compras de celulares no chamado mercado secundário.

O fenômeno, segundo a gerente de atendimento ao cliente da LatinPanel, Cristiane Haase Osso, é explicado pelo consumo consciente. Ela afirma que no Interior ainda prevalece a cultura de marcas locais e a preocupação com o bem-estar, além do fato da população ser mais ponderada quanto aos gastos. Ou seja, ao fazer os cálculos, muitas pessoas concluem que não vale a pena gastar tanto dinheiro com um aparelho que será novamente substituído dentro de não muito tempo.

Outro ponto citado pela gerente de atendimento é que, quando a compra é efetuada pela primeira vez, o vendedor normalmente já orienta o futuro usuário sobre a melhor maneira de utilizar o celular e sua tecnologia, dando mais comodidade à pessoa. “No Interior o consumo é mais consciente e costuma-se planejar o orçamento”, justifica.

Com a propagação na mídia de novas tecnologias disponíveis em um mesmo celular, quem vende um aparelho esperar utilizar o dinheiro na compra de outro, com mais itens que o anterior. “Ao mesmo tempo em que o mercado de usados é muito forte, ele também é responsável, de certa forma, por estimular a competição no mercado de aparelhos novos”, defende.

A LatinPanel estima que 66% da população brasileira possua celular, o que significa que 46 milhões de pessoas (ou os 34% restantes) não possuem o aparelho.

Mesmo com o amadurecimento do mercado de telefonia celular no Brasil, o estudo revela que o ritmo de expansão da base de usuários não arrefeceu e o mercado cresce desde 2005, de forma uniforme. Prova disso é que o crescimento das médias mensais de novas aquisições se mantém: foram habilitados 2,3 milhões de novos aparelhos em 2007, contra 2,1 milhões no ano anterior.

Sobre a distribuição por faixa etária, o estudo verificou que 46% das crianças entre 7 e 13 anos já são proprietárias de aparelhos celulares. Entre os indivíduos de 14 a 18 anos, 71% possuem o aparelho. Na faixa dos 19 aos 24 anos, a penetração é de 90%. O levantamento revela, ainda, que o usuário de celular pós-pago gasta até sete vezes mais do que os usuários de planos pré-pagos.

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Metodologia

A pesquisa coordenada pela LatinPanel, de caráter contínuo, audita o painel da telefonia celular no Brasil. Desde janeiro de 2005, a amostragem se concentra em 26 mil indivíduos em todo o território nacional. Mensalmente, os pesquisadores se dirigem às casas dessas pessoas para a coleta de dados.

Junto às pessoas que possuem ao menos um aparelho de telefone celular, a pesquisa procura saber como o mercado evoluiu. Em relação a quem ainda não possui o aparelho, a empresa procura saber se essas pessoas têm o interesse em comprar o produto. “Daí sai todo nosso monitoramento através de um painel contínuo no qual podemos fazer toda a evolução com os mesmos usuários ao longo dos anos”, observa a gerente de atendimento ao cliente da empresa, Cristiane Haase Osso.

A pesquisa é dividida entre as dez áreas abrangidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regula o setor de telefonia fica e móvel. “Com essa amostra, a gente tem uma cobertura de 80% da população e 91% do potencial de consumo do Brasil”, conclui Cristiane.