11 de julho de 2026
Nacional

Ajudante faz quatro reféns por 9 horas em SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Quatro funcionários de uma esfiharia localizada na rua Visconde de Itaboraí, no Tatuapé (zona leste de SP), foram mantidos reféns durante 9h em um banheiro de dois metros quadrados da lanchonete. As vítimas ficaram sob a mira de um revólver calibre 38 das 21h30 de anteontem às 6h15 de ontem. Ninguém se feriu. O acusado de cometer o crime é o ex-marido da balconista. À polícia, ele argumentou que não concordava com o fim do relacionamento.

Segundo a Polícia Militar, o ajudante-geral Carlos Pereira de Oliveira, 27 anos, já havia procurado Rosenete Jesus da Silva, 18 anos, por volta das 16h de anteontem. Ela não o atendeu. Às 21h30, Oliveira voltou armado. Rosenete se negou a falar com ele de novo. O acusado ficou furioso e, então, rendeu no banheiro do estabelecimento a ex-mulher e outros três funcionários: dois cozinheiros e uma operadora de caixa.

O proprietário não estava no local na hora. Um aposentado de 60 anos e sua mulher, que lanchavam com os dois filhos, um de 5 e outro de 9, também foram feitos reféns- eram os únicos clientes no local. Os filhos esperaram pelos pais na entrada da esfiharia. Dez minutos depois, o casal foi liberado. “Falei a ele que a minha família não tinha nada a ver com essa história”, disse o pai.

A Polícia Militar foi acionada pelo entregador de esfihas, que não estava na lanchonete na hora da abordagem. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) auxiliou na negociação. “Ele estava psicologicamente abalado. Hora ficava nervoso, hora mais calmo”, falou um dos policiais que participaram da operação e que não quis se identificar.

Do lado de dentro, a tensão durou do início ao fim. “Ele falava para ninguém dar uma de herói, pois estava tudo planejado. Ia nos matar e depois se suicidar”, disse o cozinheiro Cícero Mendes dos Santos, 22 anos. “Foi horrível. Talvez eu nem estivesse aqui agora”, complementou a operadora de caixa Maria Lopes de Sousa, 22 anos.

Segundo os reféns, havia momentos em que Oliveira mudava de idéia, prometia poupar os reféns e tirar apenas a própria vida. “Foi difícil. Quando deu 6h, eu perdi as esperanças e pensei que ele ia me matar”, disse a ex-mulher de Oliveira.

O primeiro avanço nas negociações se deu às 3h, quando o cozinheiro Leandro Vieira, 24 anos, foi liberado. Às 6h15, os policiais negaram água para o acusado, escutaram um tiro dentro do banheiro e resolveram invadir o estabelecimento para salvar as vítimas.

No banheiro, os policiais encontraram o cozinheiro Santos agarrado aos braços de Oliveira para impedir um novo disparo. Os outros reféns estavam em pé. “Minhas mãos estão machucadas, mas foi por uma boa causa. Não agüentava mais”, disse o cozinheiro mostrando as mãos. O acusado foi preso em flagrante e indiciado por porte ilegal de arma e cárcere privado. Segundo a polícia, ele não tinha antecedentes criminais. Ele será encaminhado nos próximos dias ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém.

Arrependido

Em depoimento ao delegado Ítalo Miranda Júnior, do 30.º DP (Tatuapé), Oliveira afirmou que está “arrependido e que não queria fazer mal a ninguém”. Segundo Miranda, ele afirmou ainda que o problema que tinha era com Rosenete: ia matá-la e depois se matar.

De acordo com o delegado, o revólver utilizado para manter os reféns foi comprado há cerca de quatro meses em uma feira clandestina. Oliveira e Silva vieram de Eunápolis, na Bahia. Viviam juntos em São Paulo havia um ano e meio. A briga que motivou a ação de anteontem aconteceu na última terça-feira. Na ocasião, ele a ameaçou de morte. “Tenho medo dele sair e fazer coisa pior”, disse a moça. No Ano Novo, ele teria ameaçado Rosenete com uma faca.