09 de julho de 2026
Geral

Ozires recebe caderneta de vôo de Zico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O bauruense Ozires Silva, fundador da Embraer e ex-ministro, recebeu ontem um presente histórico, durante os eventos Voa Bauru e Encontro Geral da Aviação (Egav 2008). Numa solenidade emocionada, lhe foi entregue pelo ex-secretário municipal de Agricultura, Cynise Pereira Leite, a caderneta de vôo de Zico.

Benedicto César foi seu amigo de infância e é constantemente lembrado por ter sido uma espécie de líder dos jovens apaixonados por aviação em Bauru. Em 1955, morreu num desastre aéreo. A informação não é novidade para quem já assistiu a mais de uma palestra de Silva. Em quase todos elas, a figura de Zico é recorrida.

Ao ler o plano de vôo do eterno amigo, apenas exclamou: “Nossa, machucou”. Ao seu lado, Cynise se esforçava, em vão, para conter as lágrimas. Ele conta que encontrou a caderneta num hangar do aeroclube, há muitos anos. O ex-secretário da Agricultura fez curso de planador e aviação em Bauru. Também conheceu Zico.

Se estivesse vivo, é possível que hoje estivesse decepcionado com a situação da aviação brasileira. Ela poderia ser maior, na opinião de Silva. O problema é que existem muitas restrições e pouco incentivo. “Existe uma maximização da regulamentação e da fiscalização e uma minimização dos incentivos. O que vemos aqui é um punhado de abnegados que se dedica porque gosta da aviação”, afirma o ex-ministro.

Ele, no entanto, acredita num futuro melhor, embora não veja no horizonte as posturas necessárias. “A burocracia precisa existir porque aviação depende de segurança de vôo. Mas aperta de um lado e ajuda do outro”, recomenda. Na opinião de Silva, o mercado de aviação é lucrativo.

“A aviação particular é geradora de riqueza. O volume operacional da aviação mundial, hoje, é da ordem de um trilhão ao ano. É um negociação. Mas nós pensamos pequeno. Tem que mudar a cabeça”, garante.

Ele conta que quando começou a trabalhar na Embraer, ninguém acreditava que poderia dar certo. Com apoio dos colegas da Força Aérea Brasileira (FAB), conseguiu. “A FAB acreditava quase que sozinha. Navegamos contra a maré e deu certo”, conclui.