11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A fisiologia da política


| Tempo de leitura: 2 min

Na política uma coisa é uma coisa, e outra coisa é a mesma coisa. Os alinhavos na formação de quadrilhas com feições ideológicas, iguais ou não, se fazem com o único intuito de eleger o líder do próximo grupelho de apaniguados, que vai nos explorar nos próximos quatro anos de mandato. Ateu junta-se ao cristão, comunista faz firulas com a bola do conservador radical, porque o jogo político faz suas patranhas. Velhas raposas aliciam novas raposas futuramente abatidas. É a dança da serpente com a víbora, e no seu bailado uma pede à outra peçonha emprestada. Como o eleitor é o boi de piranha de sempre, os políticos rezam pela velha cartilha do canto da sereia, no aliciamento de boca de urna. Os candidatos aos futuros tratamentos mútuos de “vossa excelência”, trocados entre si pelos já eleitos, nos corredores e sessões das Câmaras e Assembléias, serão os novos lordes que se paramentam com a pele e a saliva de futuros ladinos entronados pelo voto.

Não me causa espanto os descaminhos que trilham a gangue dos políticos profissionais. Muito menos a farsa na condução dos negócios deles, e da ganância acumpliciada entre eles no arrombo do erário público. O fim, para o bem deles e dos seus familiares, justifica seus modos maquiavélicos. Cobrança judicial contra eles inexiste. Eles fazem as leis da megera imunidade parlamentar, velho método para o salvo conduto de suas orquestrações tendenciosas. Para mim, no próximo mandato caberá ao senhor Caio Coube a incumbência de expulsar os camaleões acomodados, que cabem hoje reinando gostosamente nos assentos da Câmara Municipal. Socialista que sou, voto pela dignidade e moderação que sempre conduziram a vida política do socialismo no País. Voto pela esperança concreta, pela mudança isenta de tolas vaidades pessoais. Voto por saber que entre a utopia e a realidade corre um rio chamado vida.

Odair Castilho