07 de julho de 2026
Bairros

Artes e comércio mostram força da imigração

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Junto com a vontade de trabalhar, os japoneses trouxeram sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos, que contribuíram muito para o desenvolvimento do País. Bauru assimilou e continua a conhecer parte dessa contribuição até hoje.

De acordo com Maria do Carmo Kobayashi, pesquisadora da história japonesa, Bauru, assim como outras cidades brasileiras, registrou uma atuação muito grande dos imigrantes japoneses no desenvolvimento da agricultura. Depois de trabalharem nas fazendas de café e algodão, os japoneses puderam contribuir com sua técnica para desenvolver a agricultura em território bauruense.

Por essa razão, a produção hortifrutigranjeira já foi muito forte em Bauru graças às técnicas trazidas pelos imigrantes japoneses para cultivar tanto frutas quanto verduras, conta Kobayashi, o que contribuiu para o desenvolvimento econômico da cidade. No início, a maior parte dos imigrantes era formada por pequenos produtores, que desenvolveram a agricultura familiar.

A arte japonesa também está presente nos monumentos construídos na cidade em homenagem à comunidade japonesa de Bauru, onde reside pouco mais de 0,5% de todos japoneses de descendentes que vivem no Brasil. O templo Tenrikyo, sede da igreja no Brasil, representa bem essa cultura.

O prédio foi construído de acordo com a arquitetura japonesa e encanta a todos que o visitam. Monumentos como o relógio do sol, instalado na praça Reverendo Chujiro Otake, e a ponte construída na Praça das Cerejeiras contribuem para que os bauruenses conheçam parte da tradição desse povo que adotou o Brasil com sua segunda pátria.

Os costumes japoneses também ganharam centenas de adeptos que não têm nenhuma ligação com o país do sol nascente. Festas como a gincana esportiva cultural Undokai, realizada hoje em Bauru, das 9h às 17h, no Recanto Tenri, contam com a participação dessas pessoas.

De acordo com o Julio Akio Kosaka, presidente do Clube Nipo-Brasileiro de Bauru, cerca de 5 mil pessoas devem participar do evento este ano. “Estamos abrindo as portas do clube Nipo-Brasileiro para os brasileiros que sempre pediam para participar das atividades típicas da comunidade japonesa”, conta Kosaka.

A língua, que no começo foi o maior empecilho para adaptação dos primeiros imigrantes que pisaram no Brasil, hoje é ensinada para quem tiver interesse no clube Nipo. “Alguns procuram por curiosidade, outros por necessidade e alguns netos e bisnetos dos imigrantes para manter viva a tradição da comunidade”, explica Kosaka.

Além dos dois templos da igreja Tenrikyo, localizados na Vila Independência, a crença dos imigrantes é forte em Bauru. A cidade possui a Associação Religiosa Nambei Honganji, Igreja Seicho-No-Ie, Templo Budista e a Igreja Aliança Cristã e Missionária.

A culinária oriental é considerada outra das maiores contribuições trazidas pelos imigrantes. Nos restaurantes de Bauru, podem ser apreciadas iguarias como o sushi, que é hoje tão popularmente consumido no Brasil quanto no Japão.

Dentro do variado cardápio, há pratos que agradam a todos os paladares, como o rolinho primavera e o pastel meia-lua, iguarias da cozinha oriental presentes no dia-a-dia do bauruense.