09 de julho de 2026
Articulistas

Um nome ou uma moeda?


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Nas últimas semanas dois reitores de universidades respeitáveis, nacional e internacionalmente, estiveram envolvidos em episódios, no mínimo, desagradáveis.

Um deles é o professor Timothy Martin Mulholland, doutor em Psicologia pela Universidade de Pittsburgh, escolhido pela comunidade da Universidade Federal de Brasília (UnB) em 2005, com 57,1% do total de votos. O outro é o professor Ulysses Fagundes Neto, médico com Pós-Doutorado pela Universidade de Cornnell, reconduzido em agosto de 2007, com 86% dos votos do colégio eleitoral, para mais um mandato na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O primeiro é acusado de usar recursos públicos de uma fundação (Finatec) para mobiliar o apartamento funcional ocupado por ele. O caso foi parar na CPI das ONGs.

O segundo usou o cartão corporativo, em outubro de 2006, para pagar sua hospedagem em hotel na Disney quando participou do 19º Encontro Anual da Sociedade Norte Americana de Gastrenterologia Pediátrica, em Orlando. O mesmo cartão foi usado para suas despesas em lojas famosas de Miami e, quatro meses antes, durante a Copa do Mundo, em compras de material esportivo em Berlim. Devolveu R$ 85,5 mil ao Tesouro Nacional.

O reitor é um líder e, até em decorrência destes fatos, é prudente sermos um pouco céticos ao avaliarmos um candidato que pleiteia tal cargo.

Ele estará, verdadeiramente, devotado à sua missão ou apenas em busca de glória? Ele estará realmente interessado na universidade ou, simplesmente, construindo um rebanho para seu próprio engrandecimento?

O verdadeiro líder não procura seguidores; ele inspira, não coage. Ele não quer o controle, quer a verdade. Ele não compra sua liderança e nem, por conta disto, tem um séqüito de asseclas. Quando chega o momento de levar o crédito, o líder se faz invisível, mas, é o primeiro a chegar caso haja necessidade.

O bom reitor, no exercício de sua liderança, tem a dimensão total da universidade sem perder de vista os rumos que a sociedade está tomando; consegue aglutinar pessoas em torno de bons projetos e é capaz de conduzi-los de forma adequada sem colocar em risco o nome e a qualidade da Instituição.

O bom reitor, portanto, não é um, é uma equipe, é um conjunto com a obrigação de fomentar propostas para a universidade e administrá-la com o respaldo do Conselho Universitário.

O bom reitor precisa dar a todos, da comunidade acadêmica, uma visão de longo prazo da universidade que permeie suas vidas de significado e mostrar como cada uma de suas ações é indispensável a este propósito.

Disse certa vez o eminente professor Renato Janine Ribeiro: “O bom reitor no estabelecimento da política universitária deve diminuir o peso dos corredores e aumentar o da praça”. A conversa ou a opinião dos corredores tende a ser furtiva. Ela tem mais de intriga e mesmo de difamação do que com a construção de uma opinião pública.

Um verdadeiro líder é uma salvaguarda, mesmo porque a universidade não é subserviente; ele deve mostrar que a universidade não precisa ficar à mercê de vontades pessoais ou da tendência política predominante.

A professora Wrana Maria Panizzi, em seu artigo “A propósito da reforma universitária”, publicado em um Jornal da USP, menciona que a “Universidade pública brasileira, laica e gratuita, é uma bela e generosa construção republicana. Ela é obra de gerações, não pertence a partidos ou governos e muito menos ao reitor”. A sociedade é portadora de seu destino.

Um líder precisa, também, de tato, mas o tato não é aprendido pela inteligência, ele vem das profundezas do coração humano. O tato provém de nossa consideração pelos outros. Um homem influente e instruído em Pittsburgh ou Nova Iorque, não obstante, pode não ter tato. O tato é o sinal dos estadistas, dos grandes servidores da humanidade. Por isto o reitor que busca pela honra, morre por um nome, mas aquele que busca usufruir do cargo morre por uma moeda.

O autor, Paulo César Razuk, é professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp-Bauru