08 de julho de 2026
Nacional

Relator quer manter promotor acusado de assassinato em cargo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) voltou a julgar ontem o pedido de não-vitaliciamento do promotor Thales Ferri Schoedl, acusado de matar um rapaz e ferir outro a tiros em 2004, no litoral de São Paulo. O relator do processo, conselheiro Ernando Uchoa, votou a favor de vitaliciar e manter promotor no cargo.

Em setembro do ano passado, o CNMP decidiu, por unanimidade, em caráter temporário, suspender o vitaliciamento e afastar Schoedl das funções de promotor.

O caso foi levado para o CNMP pelo então procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo César Rebello Pinho, porque em agosto de 2007 o Colégio de Procuradores decidiu manter o promotor no cargo por um placar de 16 votos a 15. Com a decisão, Schoedl continuaria recebendo o salário de cerca de R$ 10.500,00 por mês e ganharia o direito de não ir a júri popular, ou seja, de ser julgado pelo crime pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo.

Além de Uchoa, outro conselheiro também votou pelo vitaliciamento de Schoedl, no entanto, outros cinco membros do CNMP pediram vista do processo e o julgamento foi adiado para o próximo dia 2 de junho. No total, o conselho tem 13 membros. Até o próximo julgamento, Schoedl continua afastado.

O promotor acusado continua a receber o salário até o julgamento final do CNMP.

Crime

O crime ocorreu na saída de um luau. As vítimas faziam parte de um grupo que teria mexido com a namorada de Schoedl. Ele foi preso horas depois do crime e alegou legítima defesa. O acusado disse que foi cercado após uma discussão e que disparou contra o chão, para dispersar os rapazes, que teriam imaginado que as balas eram de festim. Acuado, então, ele atirou na direção dos jovens.

Entretanto, ao contrário da versão apresentada por Schoedl, testemunhas ouvidas pela polícia disseram que, após passar pelo grupo de jovens, o promotor iniciou uma discussão, por achar que eles olharam para sua namorada. Em seguida, teria sacado a arma, atirado no chão e depois na direção dos garotos. Diego Mendes, 20 anos, que era jogador de basquete, não resistiu aos ferimentos e morreu. Um outro jovem ficou ferido.