10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em Bauru, 1 de maio não terá destaque

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

Milhares de pessoas comemoram amanhã em todo o Brasil o Dia do Trabalho. Feriado nacional, a data representa as conquistas e lutas dos trabalhadores durante toda a história. Sinônimo de atos políticos e festividades, a comemoração da data em Bauru será tímida. Não estão programadas grandes manifestações na cidade em prol da categoria e os poucos eventos que serão realizados terão um tom comunitário.

Talvez, a atividade de maior destaque prevista para a data é uma das que não serão realizadas na cidade. Integrantes do Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) irão a São Paulo - na madrugada de quinta-feira. O alvo será a Praça da Sé, onde participarão de ato público nacional promovido pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). Segundo a diretora sindical Idelma Corral, o movimento tem como objetivo protestar contra determinadas práticas adotadas pelo governo federal.

De Bauru, o grupo de 45 pessoas levará consigo a revolta dos agentes de combate a endemias contra a política do prefeito Tuga Angerami. Eles reivindicam melhores condições de trabalho.

A Conlutas congrega, ainda, várias outras entidades de classe que deverão estar presentes na manifestação. Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumento do salário mínimo e limite de idade para aposentadoria.

“Através da emenda 21, Lula fez a reforma que muda a aposentadoria por tempo de serviço pela idade”, reclama Idelma. “Isso começou com o Fernando Henrique, que se aposentou com 38 anos sem quase nunca ter pisado em uma sala de aula, e o atual presidente piorou”. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também participará do evento e não promoverá atividades em Bauru.

Reivindicações

Filiada desde 1985 ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), tradicional frente de esquerda, a vereadora Majô Jandreice observa que as grandes manifestações ocorrem em grandes centros e não são freqüentes no Interior. “De maneira geral, os sindicatos têm se concentrado nas mobilizações que acontecem na Capital paulista”, afirma. “Mas as mobilizações e lutas continuam”, completa.

Ela afirma que este é o momento da classe operária apresentar suas reivindicações junto aos governos. Entre as principais, ela cita que as centrais estão unificadas em torno da luta pela redução da jornada de trabalho, com o propósito de aumentar o número de pessoas no mercado de trabalho. Majô destaca que o PC do B participará de várias manifestações em prol de reformas nas áreas da política, comunicação, tributária e agrária.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, as manifestações em comemoração ao Dia do Trabalho são justas. Ele, que também é presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), acredita que o trabalhador é parte fundamental no desenvolvimento de empresas e de todo o Brasil.

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História de lutas e conquistas

Comemorado em 1 de maio, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. Nessa mesma data, em 1886, ocorreu uma grande manifestação de trabalhadores na cidade americana de Chicago. Milhares de pessoas protestaram contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária à qual eram submetidos (13 horas diárias). A greve paralisou os Estados Unidos.

No dia 3 de maio, houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte o confronto se intensificou, resultando na morte de diversos participantes. As manifestações e protestos realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações dos trabalhadores como data máxima dos trabalhadores organizados para, assim, lutar pelas oito horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou a jornada de trabalho de oito horas e proclamou o dia 1 de maio como feriado nacional.

Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. No Brasil, a data foi consolidada em 1925, no governo de Rodrigues Alves. Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas, as principais medidas de benefício ao trabalhador foram dadas nessa data. Atualmente, inúmeros países adotam o 1 de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles.