09 de julho de 2026
Nacional

Medicina da Unimar tem a pior avaliação em SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem a lista dos 17 cursos de medicina que serão supervisionados por causa das baixas notas dos seus alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O processo de supervisão será semelhante ao que está em andamento com as áreas de direito e pedagogia. Inicialmente, os cursos serão notificados pelo ministério e terão dez dias para explicar o mau desempenho.

Depois disso, a comissão nomeada pelo MEC poderá realizar vistorias e sugerir medidas para os cursos. Se houver consenso sobre elas, será assinado um termo de compromisso; senão, a pasta poderá abrir um procedimento administrativo. Entre as punições poderão estar o corte de vagas, já anunciado para 51 cursos de direito, ou, no limite, a suspensão de novos processos seletivos.

Dos 17 cursos de medicina que serão vigiados pelo Ministério da Educação por causa de maus resultados, três ficam no Estado de São Paulo. São todos de universidades privadas. A mais mal avaliada foi a Universidade de Marília (Unimar), que cobra mensalidade de cerca de R$ 3.500,00. Em seguida, vieram a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e a Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Tanto a reitoria quanto os alunos da Unimar dizem que seu curso de medicina foi injustamente classificado como o pior do País. O problema, dizem, ocorreu por causa da data da formatura dos estudantes.

O jantar, a colação de grau e o baile estavam marcados, respectivamente, para os dias 8, 9 e 10 de novembro do ano passado. O Enade, uma das bases para a avaliação do Ministério da Educação, foi aplicado no dia 11.

Para evitar que os alunos fizessem a prova recém-saídos do baile - todos poderiam estar cansados e alguns, alcoolizados - , a reitoria decidiu atrasar as datas em uma semana. A colação de grau foi, então, realizada no dia 2 de novembro, feriado de homenagem aos mortos. Os formandos não gostaram.

Como revanche, segundo a versão da reitoria, os estudantes boicotaram o Enade. “O ministério deveria dar alguma responsabilidade ao aluno. O ônus é todo da escola. Por causa do boicote, quem sofreu a pena não foi o aluno. Ficamos tachados como uma universidade de qualidade inferior”, diz o pró-reitor de graduação da Unimar, José Roberto Marques de Castro.

O presidente do diretório acadêmico do curso de medicina, Antonio Padron, 26 anos, diz que o curso da Unimar tem qualidade. “Em relação à teoria, os alunos sabem até demais. O problema foram as datas”, diz ele.

Procuradas, a Unaerp e a Unimes informaram que se manifestariam só após a comunicação oficial dos resultados. “Acreditamos que possa ter ocorrido algum engano ou boicote por parte dos alunos”, informou a Unaerp.

A Unimar dividiu o posto de pior escola médica com a Universidade Iguaçu (Unig), que também é privada e fica na região metropolitana do Rio. A Unig informou que só o coordenador do curso de medicina poderia se pronunciar, mas que ele já havia deixado a instituição no horário em que a reportagem entrou em contato, às 18h.