A cada dia, os carros estão mais parecidos,com os faróis que se parecem olhos de felinos, com tamanho e forma semelhantes, invariavelmente que nas cores preto ou prata. Enfim, se olhamos pelo retrovisor fica difícil saber o que está se aproximando de nós. Apenas os aficionados reconhecem as sutilezas do design e características de “família” que diferem as marcas. O que diferencia mesmo cada carro é a marca de seu fabricante e a tecnologia por trás dela. Muitas vezes, basta ver o símbolo na grade ou no capô que sabemos sua procedência, às vezes não dá para saber o modelo mas a família, sim. Convenhamos, alguns símbolos são de identificação imediata, e alguns logotipos tem uma história toda especial, como a estrela da Mercedes Benz. O jeitão e o porte típicos de um Mercedes são identificáveis de longe, mas a estrela de três pontas na grade é inconfundível. Este logo é um primor do design gráfico e simboliza a capacidade da fábrica em produzir motores para uso em terra, mar e ar, daí as três pontas.
A BMW tem uma história semelhante. A Bayerische Motoren Werke nasceu em 1916 como fabricante de motores de aviões militares e 7 anos depois começou a fabricar motocicletas. Seu logo mostra suas iniciais BMW e a estilização de uma hélice de avião, com fundo azul claro e branco. A Citroën tem como símbolo dois V invertidos, como nas “divisas de cabo”, mas que na verdade representam a forma dos dentes das engrenagens muito avançadas para a época, inventadas pelo seu fundador André Citroën. Outro logo famoso é o das quatro argolas da Audi, empresa que na verdade começou como Auto Union, com a união de quatro fabricantes independentes Audi, DKW, Horsch e Wanderer, daí os 4 elos. Houve a entrada também da NSU no grupo, que hoje em dia se chama apenas Audi e permanece com o símbolo das 4 argolas. O não menos famoso logo VW da Volkswagen evoca as iniciais de seu nome, que significa “carro do povo”, como originalmente designado.
O nosso querido Jeep tem outra história interessante. Na verdade, a palavra Jeep não tem nenhum significado, mas passou a designar uma estirpe própria de veículos fora de estrada, robustos e confiáveis. A origem do primeiro Jeep foi militar, para uso na Segunda Guerra Mundial. Sua designação militar era “General Purpose” ou seja, de uso geral. Sua sigla GP lida em inglês tinha som de “GiPi”, e a pronúncia passou por uma modificação estética das letras, passando à marca Jeep. A logomarca da Mitsubishi apresenta 3 diamantes, símbolos da durabilidade de seus produtos. Também, em japonês a palavra mitsu significa três e bishi, diamante. Daí o logo.
Os italianos são artistas por natureza e seus emblemas geralmente mais sofisticados, menos sutis. Vejamos o da Alfa Romeo, que apresenta no círculo interno a bandeira de Milão, sua cidade natal e o brasão da realeza local, ladeados pela marca Alfa Romeo. Alfa significa Anônima Lombarda Fabricca Automobili. A Ferrari tem duas marcas, uma com seu nome com letras estilizadas e outra, um brasão com um cavalo empinado. Este símbolo foi usado na Primeira Guerra Mundial pelo piloto italiano Francesco Baracca, que morreu em combate. Enzo Ferrari passou a usar o escudo em seus carros de corrida, como uma homenagem. Continuamos no assunto na semana que vem!
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.
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