Rio - Dos 21,3 milhões de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País, 4,1 milhões trabalham por conta própria, segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses trabalhadores ganham menos, têm menor grau de instrução e, na maior parte, não contribuem para a Previdência. Pelo menos 46% deles são pedreiros ou vendedores, inclusive camelôs. O estudo foi realizado a partir de dados levantados no último mês de março.
Segundo a pesquisa, cerca de 22% dos trabalhadores por conta própria têm entre 50 e 59 anos, enquanto para o total dos ocupados o percentual de trabalhadores nessa faixa etária é de 13%. A técnica do instituto, Jussara Colen, disse que o elevado percentual de ocupados com mais de 50 anos trabalhando por conta própria pode indicar que, mesmo aposentados, eles procuram aumentar a renda e contribuir com o rendimento familiar.
O estudo mostra também que 41% dos que trabalham por conta própria não completaram o ensino fundamental, percentual muito superior aos 27% da média dos ocupados das seis regiões que tem esse grau de instrução. Outro dado importante mostra precariedade na ocupação por conta própria, já que apenas 20,7% desses trabalhadores contribuem para a Previdência Social.
Além disso, o rendimento dos ocupados por conta própria, que chegou a R$ 1.013,50 em março deste ano, também foi inferior à renda da média dos ocupados, de R$ 1.188, 90. O estudo mostra que a participação dos trabalhadores no total de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País permaneceu praticamente inalterado desde 2002 - ano que marca o início da nova série histórica da pesquisa mensal de emprego do IBGE -, quando era de 19,3%, até março de 2008, quando foi de 19,2%.
Em março de 2004, a fatia dos conta própria havia chegado a 21%. Segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo, naquele momento o poder de compra das famílias estava encolhido por causa da forte crise de 2003, e muitas pessoas que não trabalhavam decidiram buscar alguma ocupação para contribuir no rendimento da família.
Azeredo observou também que, assim como ocorre na média dos ocupados, o rendimento médio real dos trabalhadores por conta própria ainda não chegou, em março de 2008, ao patamar em que estava em março de 2002 (R$ 1.103,73). Segundo ele, a maior perda desses ocupados ocorreu entre março de 2002 e igual mês de 2003 (-16,4%) e a recuperação dos últimos anos não foi suficiente para reverter esse recuo. A pesquisa mostra ainda que 35,2% desses trabalhadores ganhavam menos de um salário mínimo, ou menos de R$ 415, enquanto, para o total de ocupados, 18,7% ganhavam menos do que o mínimo.
Desemprego
A taxa de desemprego ficou em 15% em março em seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Seade em parceria com o Dieese. Em fevereiro, o desemprego estava em 14,5% e em março de 2007, em 16,6%. O total de desempregados nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e do Distrito Federal foi estimado em 2,9 milhões de pessoas, 116 mil a mais do que em fevereiro.