Bagdá - Os confrontos entre rebeldes xiitas e as forças iraquianas e americanas em Sadr City, bairro pobre de Bagdá que é reduto da milícia leal ao clérigo xiita Moqtada al Sadr, deixaram centenas de mortos e milhares de feridos, segundo informações divulgadas ontem.
No entanto, os números de pessoas mortas desde o início dos combates divulgados por oficiais do governo iraquiano não coincidem.
De acordo com o porta-voz civil do plano de segurança da capital iraquiana, Tahsin Cheijli, ao menos 925 pessoas morreram e 2.605 ficaram feridas desde o início dos combates em Sadr City no fim do mês de março.
“Houve 925 mártires em Sadr City e outras 2.605 pessoas foram feridas desde 25 de março nos combates que prosseguem. As autoridades estão proporcionando os devidos cuidados”, disse Cheijli. O porta-voz não detalhou o número de civis e combatentes entre as vítimas.
Mais cedo, o Ministério do Interior iraquiano havia informado que ao menos 321 pessoas morreram e 834 ficaram feridas durante o mês de abril nos confrontos entre as forças iraquianas e americanas e a milícia xiita em Sadr City.
Os números também não correspondem ao oferecido na semana passada por um deputado iraquiano alinhado a Al Sadr. Segundo ele, foram registradas 400 mortes desde o final de março.
Os combates envolvem o Exército Mehdi, milícia liderada por Al Sadr, contra as tropas iraquianas e unidades militares dos EUA na área, que tem quase 2 milhões de habitantes. O governo iraquiano e o comando americano afirmam que a meta da operação é impor a autoridade do Estado na área e insistem para que os arsenais das milícias passem ao controle do governo.
Os sadristas acusam o governo do primeiro-ministro Nuri al Maliki e as tropas dos EUA de querer debilitar e até eliminar a milícia antes das eleições de outubro.
Morte de americanos
O anúncio da morte de mais dois soldados dos Estados Unidos no Iraque ontem tornou abril o pior mês para as tropas americanas no país desde setembro de 2007, com o registro de 46 militares mortos.
O balanço deste mês é o maior desde setembro, quando 65 soldados dos EUA morreram no Iraque, de acordo com os cálculos do icasualties.org, um site independente que acompanha as mortes entre os militares.
Apesar disso, o número ainda é bem menor que o registrado em abril de 2007, quando 104 membros do serviço dos EUA foram mortos no país.
Em um comunicado, o Exército dos EUA disse que homens armados mataram um soldado na parte noroeste de Bagdá, anteontem. O segundo soldado foi morto na beira de uma estrada, quando uma bomba explodiu perto do veículo em que ele estava, também na parte noroeste da capital iraquiana.
Cerca de metade das mortes de soldados dos EUA no Iraque neste mês aconteceu em Bagdá, incluindo vários mortos por foguetes e morteiros lançados do reduto xiita de Sadr City.