O JC perguntou a opinião dos fanáticos por Senna, Aziz e Gimenes, sobre figuras ilustres, que marcaram a trajetória do brasileiro na F-1. Confira as opiniões:
Alain Prost, o grande rival
Gimenes – Alain Prost só foi Alain Prost e Ayrton Senna só foi Ayrton Senna, porque os dois se enfrentaram. Para mim, foram os dois maiores pilotos de todos os tempos. (Juan Manuel) Fangio foi bom, mas o Prost foi sensacional. Eles (Senna e Prost) correram na mesma equipe em dois anos.
Aziz – Concordo. Acho que o Prost foi um piloto excepcional e os dois travaram os duelos mais marcantes e maravilhosos que a Fórmula 1 já teve. Não vai ter duelo igual. O Prost tinha uma fantástica supremacia de acertar o carro, era perfeito. E o Senna, a força mental na corrida. Tanto que o Prost falava isso: ‘Os testes de inverno eu que fazia, deixava o carro redondo. Mas na hora da corrida, a força mental dele era superior à minha’. Então, um completava o outro. Se juntasse os dois em uma pessoa só, seria o cara imbatível.
Jean-Marie Balestre, ex-presidente da FIA, morto recentemente, que anulou a vitória se Senna no Japão em 1989 e tirou o título da temporada do brasileiro
Aziz - Acho que ele deve estar no inferno, junto com Hitler (risos).
Gimenes - Um cara que apoiou nazistas na França na época da Segunda Guerra Mundial. Vai esperar o que dele? Nada. Não quero o mal do Diabo, não desejo que ele vá para o inferno (risos).
Ron Dennis, chefão da McLaren
Aziz - Está na hora de ele ir para casa. Ultimamente, ele tem cometido umas gafes muito grandes. Na época, ele ficou chateado pelo Senna ter se transferido para a Williams, porque queria um carro competitivo. Mas foi uma parceria legal, o Ron Dennis teve a sorte de ter o Senna na equipe. A falha foi não ter administrado melhor para segurar o Senna e dar um carro de acordo para a disputa.
Gimenes - Discordo um pouco. Para mim, uma equipe só pode ser vencedora se tiver um braço forte por trás. Tem muita gente que fala mal do Ron Dennis, que é arrogante. Mas você só mantém a ordem em uma equipe de F-1, se você tiver punho forte. E, às vezes, com punho forte, você acaba ofendendo outras pessoas. A maior parte dele com o Ayrton Senna foi muito boa, teve uma ou outra desavença, mas ele se davam bem, tinham uma boa relação. Sobre o caso de ele ter perdido o Senna, é relevante o cenário da F-1 naquele momento. A McLaren não teria como ter um carro bom. Pelo Ron Dennis, ele teria o melhor carro a vida inteira e o Ayrton Senna pilotando. O duro é ter a estrutura necessária e os acordos financeiros na hora. São coisas que não nascem do dia para a noite.
Nélson Piquet, tricampeão e rival nas pistas
Gimenes - Eu e o Sulaiman, dentro desta rivalidade, torcemos para os dois. Eles eram rivais, tiveram os problemas deles, problemas pessoais. Mas se respeitavam muito nas pistas. Nélson Piquet foi fantástico, um dos maiores de todos os tempos, os títulos estão aí para contar e o Ayrton Senna, idem. Então, disputar a preferência de um País... Algumas pessoas que andavam junto apimentaram ainda mais, o Piquet tem a língua solta e fala o que vem à cabeça. O Senna já era mais polido, mais marketeiro nesta parte e acabou ficando chateado e respondeu à altura. Isso levou à incompatibilidade de gênios entre os dois. Mas, internamente, os dois se admiravam. Uma das ultrapassagens mais bonitas da história foi do Piquet em cima do Senna. Na Hungria, em 1986. O Piquet saiu com as quatro rodas de lado para passar o Senna. O Senna tinha que passar desta forma. Nunca os dois se enroscaram na pista.
Aziz - Respeito muito o Nélson Piquet. A gente é sennista diferente. Ele foi um piloto extraordinário e a carreira dele fala por si. Eu sou muito mais o Nélson Piquet do que 15 Schumachers. Para mim, não tem melhor do que o Ayrton Senna, mas respeito muito o Nélson Piquet.
Michael Schumacher, recordista em marcas
Aziz - Nada a declarar. Para mim, foi um piloto que andou na frente quando tinha um carro superior. Ele teve muita sorte, mas quando pegou um piloto com o carro igual, como o caso do Fernando Alonso, ele tomou um pau. A F-1 não sentiu a falta de Schumacher. O Schumacher foi mais uma invenção da Fórmula 1 para esquecer a era Senna. Porque, quando o Senna morreu, houve um grande temor de que a Fórmula, sem ídolos, pudesse perder popularidade. Em 1994, o carro da Benneton era totalmente fora do regulamento. Isso foi provado. O carro tinha controle de tração embutido. E, mesmo assim, ele não conseguiu largar três vezes na frente do Senna. Naquele ano, o carro da Williams dependia da eletrônica. A partir do momento que a FIA viu que o Senna tinha o melhor carro e era o melhor piloto, que ele iria ganhar tudo, mudou a regra (proibiu recursos eletrônicos) para não deixar o Senna ser campeão. A regra foi mudada em dezembro de 1993. A Benneton burlou a proibição, mas não tiraram o título do Schumacher. Como piloto, o Schumacher é um grande recordista, como mestre da direção, é o Ayrton Senna.
Gimenes - Com uma volta rápida para marcar o tempo para ele entrar nos boxes e fazer aquelas táticas de corrida, ele foi insuperável. Realmente, ele dominou a F-1 da era eletrônica. Ele pegou uma era muito boa da Ferrari, coisa rara de ocorrer, da Ferrari acumular tantos carros bons. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Ele pegou uma época muito boa. Aposentaram-se o Piquet, o Prost e o Mansell e morreu o Senna. Você vê o Schumacher com 80 vitórias, não sei quantas poles... Se você compara com o Senna, quantos momentos do Senna você tem para comentar? Do Schumacher, você fala o quê? Uma vez que ele ultrapassou nos boxes! É isso que falta ali. É um excelente piloto. Mas vejo que com dois campeonatos mundiais, ele estava bem na parada. Sete é um exagero.
Rubens Barrichello, “herdeiro” de Senna
Aziz – Tinha tudo para ser um excelente piloto. Tem recordes em kart, mas acho que ele não deveria ter se sujeitado tanto ao Schumacher, de ser segundo piloto. A história vai lembrar do Barrichello como recordista de corridas. Do que adianta você ter muito e não ter nada. Acho que ele tinha talento para ser campeão, mas foi mal direcionado empresarialmente.
Gimenes – Tem nove vitórias na F-1, dois vice-campeonatos mundiais. Se o Japão tivesse um piloto com este currículo, ele seria herói nacional. Considero o Rubinho um grande piloto, só que na função dele: a de acertador de carros. Uma equipe de F-1 é um time. Em casos raros você teve dois grandes na mesma equipe: Williams, com Piquet e Mansell, e McLaren, com Senna e Prost. Os dois correm com carros da mesma cor, como se fosse a camisa de um time de futebol. Então, um vai bater o pênalti. Infelizmente, a F-1 acaba indo para este lado. O Schumacher só foi campeão na Ferrari quando teve o Rubinho como companheiro. A função dele não era ser um velocista. Ele tinha de preparar o carro e estar na pista para o caso do principal piloto não conseguir vencer. Não era função dele ser campeão.