O tempo frio convida o paladar a saborear pratos quentes e mais ‘pesados’ e, entre as opções, a feijoada é quase uma unanimidade entre os brasileiros. O vapor perfumado dos seus variados ingredientes fervendo na panela é tentador e sempre um pretexto para reunir a família em torno da mesa.
Como reflexo desta tradição, a queda das temperaturas dos últimos dias fez com que a procura por feijão preto, paio, lingüiça, pé de porco e costelinha defumada aumentasse consideravelmente nos supermercados de Bauru. Só em uma rede supermercadista da cidade, houve 27% de elevação nas vendas dos itens que compõem a feijoada, de acordo com o gestor de compras Marcos Geraldo França.
“Na última quinzena de abril já observamos esse aumento, mas, neste fim de semana, deve haver um incremento ainda maior”, diz, contando com a previsão de permanência de tempo frio para os próximos dias. Isso porque, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), pelo menos até terça-feira as temperaturas mínimas se manterão baixas - deve chegar na casa dos 11 graus. França explica que, para o inverno que está por vir, a expectativa é de que o consumo dos itens para a feijoada cresça 60% em relação ao ano passado.
E a procura já é tamanha que a psicóloga Suzete Monseff, 53 anos, não conseguiu encontrar paio nas prateleiras do mercado. No final da tarde de ontem, ela levou a filha Taissa, 27 anos, ao supermercado para ensiná-la todas as etapas do preparo do centenário prato brasileiro, inclusive a escolher os ingredientes.
Suzete explica que, mais do que ensinar o modo de preparo da receita, a intenção é transmitir à nova geração uma verdadeira herança cultural brasileira. “Eles (os supermercados) até oferecem um kit pronto, já montado com todos os ingredientes. Mas o interessante é envolver a família, desde a compra dos itens até a hora de comer. É essa integração que dá o verdadeiro sabor à feijoada”, frisa.
100 quilos
E, assim como nos supermercados, a chegada de ventos gelados também abriu a temporada de consumo de feijoada nos restaurantes, como é o caso de um estabelecimento localizado na avenida Nações Unidas. O proprietário José Alcântara Marangon Junior incluiu o prato no cardápio de seu empreendimento há mais de 15 anos, sempre com garantia de clientela, conforme assegura.
“O prato é servido duas vezes por semana, mas é na época do frio que o consumo realmente aumenta”, afirma. Ele destaca que, em época de temperaturas amenas, chega a preparar um volume seis vezes maior de feijoada em relação ao período de calor.
“São cerca de 100 quilos a mais no sábado, que é o dia em que mais pessoas consomem feijoada. Com essa chuvinha, o cliente come uma prato para se esquentar e vai para casa dormir e fazer a digestão”, observa.