Botucatu - A médica Jane Amanda Robin Jerônimo, 28 anos, era muito querida por amigos e pacientes. Ontem, no velório dela e de seu pai, no ginásio de esportes de Pratânia, a população compareceu em massa para prestar as últimas homenagens. Mesmo quem não a conhecia bem, fez questão de marcar presença.
“Vim mesmo para prestar solidariedade à família. Sei que ela (Jane) era muito prestativa às pessoas, ajudava muita gente com o seu trabalho no posto de saúde”, disse o aposentado Benedito Corrêa, que esteve ontem no velório.
Entre os amigos mais próximos, o sofrimento pela perda da amiga era aparente. “Não sei por que isso foi acontecer com ela. Era uma pessoa tão boa, esforçada, dedicada ao trabalho, a seus pacientes. Não dá para entender”, desabafa a auxiliar de enfermagem Luciana Alves da Silva, que trabalhava com a médica.
“Vou lembrar dela como uma pessoa boa, tranqüila, correta e que sempre procurava fazer o bem a todos”, disse emocionada a enfermeira Sinara Morales, que trabalhava com Jane há mais de um ano.
Ambas disseram à reportagem que estiveram com a médica até as 23h da noite anterior ao crime. “Ela estava calma e não tinha comentado que estava preocupada com alguma coisa. Não percebemos nada”, destacou Silva.
Os parentes que estavam ao velório ontem pouco falaram sobre a tragédia. O namorado da médica, muito emocionado e inconformado, preferiu o silêncio. As primas de Jane também pouco conversaram com a reportagem. Disseram apenas que não sabiam que o suspeito pelo crime era o ex-marido da médica. “Estou tomando conhecimento disso por você. Por enquanto, ninguém nos informou nada”, disse uma das primas, que pediu para que seu nome fosse preservado.
Uma outra parente das vítimas, que também quis ter sua identidade preservada, admitiu que o ex-marido da vítima vinha causando preocupação entre os três nos últimos tempos. “Não quero e não posso falar nada agora, mas eu sabia que ele (Wellington Gomes da Conceição) vinha fazendo ameaças, porque eles me contavam.”
Pai e filha foram sepultados ainda ontem no Cemitério Municipal de Pratânia. Familiares explicaram que o enterro foi em Pratânia porque a médica tinha muita estima pela população local.