08 de julho de 2026
Internacional

Brown sofre duro golpe em pleito

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, sofreu ontem sua pior derrota em 40 anos nas eleições locais, em um resultado que enfraquece ainda mais o atual governo.

Os trabalhistas perderam mais de 300 cadeiras em relação às eleições de quatro anos atrás e terminaram em terceiro lugar, atrás de seus principais adversários, os conservadores, e também dos liberal-democratas. Para coroar o desastre, foram derrotados também em Londres, cidade que governavam desde 2000.

O resultado dessas eleições é ainda pior que o de 2004, quando o apoio ao governo de Tony Blair (1997-2007) chegou a um de seus níveis mais baixos, um ano após a invasão do Iraque.

Os grandes vencedores foram os conservadores, que conquistaram 44% dos votos. Os liberal-democratas tiveram 25%, e os trabalhistas ficaram com apenas 24%.

No total, os conservadores ganharam em torno de 250 cadeiras em relação ao que já tinham, enquanto os trabalhistas perderam em torno de 330. Os liberal-democratas, normalmente a terceira força na política britânica, avançaram em torno de 30.

Se os resultados se repetissem na futura eleição nacional, os conservadores conquistariam uma maioria sólida de cerca de 150 cadeiras e acabariam com o domínio trabalhista no Parlamento, iniciado há 11 anos com o governo Blair. Pelo sistema político britânico, a eleição pode ser convocada em qualquer momento, por decisão do Parlamento, que então é dissolvido pela rainha. O prazo máximo para a realização das próximas eleições é junho de 2010.

A votação de ontem foi o primeiro teste eleitoral de Brown, e os adjetivos proliferaram na mídia britânica para definir a derrota trabalhista: desde o “humilhante’’ usado pelo “Financial Times’’ até o “massacre’’ de alguns tablóides.

Causas

A debacle pode ser atribuída a fatores internos e externos. No plano internacional, a crise financeira global atingiu o Reino Unido e dificultou o financiamento de imóveis, aumentou os preços dos combustíveis e dos alimentos. No cenário interno, o governo de Brown foi obrigado a voltar atrás depois de uma desastrosa mudança no imposto de renda, que prejudicava justamente algumas das parcelas mais pobres da população. Conta também a falta de carisma do premiê, exacerbada pelo contraste com Blair.

O revés foi apenas o mais recente de uma série de problemas da gestão de Brown, que, em menos de um ano no poder, viu a primeira corrida bancária em mais de um século no Reino Unido, enfrentou episódio de perda dos dados sigilosos de milhões de britânicos e sofreu com constantes ataques de membros do próprio partido.

Brown admitiu a gravidade da derrota e disse que tinha sido “uma noite ruim’’. Mas tentou colocar o pesadelo para trás: “Meu trabalho é escutar e liderar, e é isso que vou fazer’’.

O primeiro-ministro culpou as “difíceis circunstâncias econômicas’’ e disse que as medidas tomadas por seu governo para enfrentar os problemas vão ficar claras “durante os próximos meses’’.

“Eu acho que as pessoas querem ter a certeza de que o governo vai liderá-las durante esses tempos difíceis’’, afirmou o primeiro-ministro quando ficou claro o tamanho da derrota.

Vencedor

No entanto, Brown deve enfrentar ainda mais problemas nos próximos meses, uma vez que integrantes de seu próprio partido elevaram o tom de criticismo ontem à noite e parlamentares ameaçam obstruir a mudança na lei sobre suspeitos de terrorismo. A turbulência financeira global tampouco dá sinais de ter se dissipado.

O maior vencedor das eleições de ontem foi o líder do Partido Conservador, David Cameron, principal oponente de Brown. O político de 42 anos ocupa a posição desde 2005 e é extremamente idiático. Recentemente, abriu sua casa para a TV para mostrar o café da manhã com a mulher e os filhos. Costuma dizer que é um “conservador moderno com compaixão’’. Hoje, definiu a vitória nas eleições locais como “um grande momento’’.