Assim como homem e a mulher, os animais também têm seus direitos garantidos por lei. O principal deles é o de viver. Elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Declaração Universal dos Direitos dos Animais reúne 14 artigos que garantem aos bichos carinho, cuidados e liberdade.
De acordo com a declaração, o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e a natureza. Por isso, o documento proíbe que o animal seja utilizado para o divertimento do homem, seja exterminado sem causa justa e exploração para o trabalho.
A médica veterinária Ana Tarsila Fernandes Fassoni diz que, sem levar em consideração os gastos com alimentação, vacinas, tratamentos e, principalmente, tempo disponível para atenção a esse animal, muitas pessoas descartam seus animais de estimação como se fossem um caderno, uma roupa ou qualquer outro objeto.
A veterinária explica que todo animal de estimação é indefeso e por isso precisa de cuidados, como uma criança. “Quem pratica qualquer tipo de maus-tratos contra um animal indefeso desenvolve um personalidade perversa e pode agir também dessa maneira com outra pessoa”, conta Fassoni.
A maior parte dos animais abandonados nas ruas da cidade possivelmente já teve um lar, um domo, mas foram abandonados por representarem risco à saúde ou à segurança do seu proprietário ou familiares e de terceiros.
De acordo com a Associação Protetora de Animais São Francisco de Assis (Apasfa), nenhum animal nasce agressivo. Ele tende a desenvolver essa personalidade de acordo com a criação a que é submetido.
Fassoni explica que o comportamento de um animal de estimação, na maioria dos casos, é o reflexo do seu dono. “Se a pessoa é agressiva com o bichinho, ele tende a ser agressivo também com o dono e com outras pessoas”, explica. O mesmo acontece com a alimentação. “Cansei de cuidar de cachorros obesos, em todos os casos os donos também apresentavam sinais de obesidade”, cita.
Bauru não possui um banco de dados atualizado do número de animais de estimação existentes no município. O último dado oficial é de um censo realizado em 2006 pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru; na época foram catalogados 76.879 animais. Desse total 61.593 eram cães, o restante, 15.286, correspondia ao número total de gatos.
De acordo com o próprio CCZ, atualmente esse número deve ser maior, mesmo com o alto número de sacrifício de animais com leishmaniose, uma vez que a reprodução desses animais também é rápida e constante.
Segundo a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), uma única cadela, com uma vida reprodutiva de seis anos, pode gerar 100 descendentes enquanto uma gata em apenas dois anos pode deixar 200 descendentes.
A WSPA recomenda a castração já que o procedimento cirúrgico é relativamente seguro, se feito por um profissional médico veterinário. A recuperação de um animal castrado é de aproximadamente uma semana com desconforto mínimo. Em Bauru, para diminuir a população de animais de estimação abandonados pelas ruas, a maior parte dos veterinários defende a realização de campanha de castração em massa de cães e gatos.
Fassoni explica que a castração não se trata de nenhum tipo de crime e sim é um método de prevenção para evitar que animais sejam soltos nas ruas.